segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Lapas Grelhadas

.................... Estava eu a começar a habituar-me a essa vida renovada e boa que é a de férias e, zás, eis que acabam, muda tudo e não é para melhor!
Claro que alguns dirão que assim, ao menos, sempre vai aparecendo algo por aqui, o que é um ponto de vista respeitável, mas eu, bem que gostava de ter o blog bem mortinho por mais um mesito (ou dois?) ...
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Quando em Novembro de 2002 o petroleiro Prestige se partiu e afundou mesmo em frente à idílica praia de onde agora venho, dando origem à pior catástrofe ambiental no continente europeu, muitos foram os que vaticinaram a morte definitiva daquelas costas.
Eu estive lá em Abril de 2003, cinco meses depois, e posso assegurar-vos que fui um dos que temeu o pior, perante o cenário dantesco de uma costa negra e morta que daria origem ao famoso movimento cívico galego "Nunca Maís".
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Felizmente, graças ao esforço tenaz de tantos que, voluntariamente, trabalharam ali, muitos portugueses também, o milagre deu-se e hoje toda a costa da Galiza está esfusiante de vida marinha, um santuário para os apreciadores de peixe e marisco. Nestas férias a carne não entrou na ementa! Não foi promessa que se fez, foi antes uma inevitabilidade, quando, além das lotas com peixe vivo, até nas praias se podia apanhar o jantar.

Já não via lapas assim desde que aprendi a comê-las grelhadas, com manteiga e limão, numas saudosas férias no Porto Santo, há muitos anos. Nesta praia, situada numa ilha da Ria de Arosa, podia-se, além do sol e do mar, levar-se petiscos que iam desde estas lapas gigantes, ao camarão, cracas, percebes, amêijoas, burrié e búzios. Isso mesmo, era escolher e apanhar...
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Assim, em homenagem à Tia Maria, do Porto Santo, fizeram-se estas belas lapas, marisco desprezado, de tamanho realmente monumental. Na foto com um cartão SD, para efeito de escala, era o que tinha à mão.
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Ingredientes:
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Lapas grandes
Pimenta preta
Manteiga
Limão
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Preparação:
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Limpe, raspando a carne da lapa, onde é vulgar que venham agarrados pedaços da rocha onde estava agarrada ou minúsculas lapinhas.
Disponha as lapas lado a lado, com a casca virada para baixo, numa chapa ou frigideira de ferro.
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Salpique com pimenta preta e coloque um padacinho de manteiga em cada lapa.
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Leve a lume forte até que a manteiga derreta e a lapa fique solta da casca. Regue com sumo de limão e, gostando, um pouco de sal fino.
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7 comentários:

cupido disse...

Diria, depois de ler este fantástico post:

Isso pra mim é vivêrr... (leia-se com sotaque Brasileiro)

Moira disse...

Um petisco e tanto :)
Uma delícia que já não me passa pelo goto há muito tempo.

Paulo Leite disse...

é coisa que nunca provei, infelizmente.
aqui na costa da minha cidade de Aveiro bem que as vejo agarradas às rochas dos esporões mas, todas elas de tamanho reduzido. Já tive a tentação de apanhar uma ou outra maior para provar mas ainda não aconteceu. Vamos ver se, depois de ver este post apetitoso (outro), a vontade me surge e vou à praia da barra ou costa nova apanhar umas lapas.

Profmaria disse...

As lapas são "marisco desprezado"?! Onde é que vive? Tenho que me mudar já para aí! :) Aqui nos Açores isto está tudo rapado, literalmente. E elas custam os olhos da cara!

LPontes disse...

São as inexoráveis leis do mercado: aí nos Açores não têm lapas porque têm o delicioso Arroz de Lapas (que eu já comi em S.Miguel!).
Por aqui não há tradição gastronómica e assim elas prosperam, felizes. São é mais pequenitas mas, para o "arroz", até nem faz mal nenhum, lapas com a envergadura de uma moeda de Euro já dão bem para petisco e desse tamanho há muitas em toda a costa continental. Apanhei até das grandes na costa alentejana (Almograve, Monte Clérigo, Arrifana, Zambujeira, etc.).
Claro que não são tão grandes como as dos Açores, do Porto Santo ou estas galegas que apanhei na praia de Areia da Secada, Illa de Arousa, ou no antigo molhe do porto fenício de Aguíño.

+1 disse...

Em relação ás lapas... na costa Vicentina encontram-se umas que rivalizam com as Açorianas... contudo, só estão acessíveis a alguns, aos mais aventureiros.

Mas no fim... são realmente um petisco fantástico.

PS: Parabéns pelo BLOG.

Profmaria disse...

Olhe que as maiores não são necessariamente melhores... Há lapas maiores que a palma de uma mão e essas deixam um bocadinho a desejar: parecem pastilha elástica! Digo eu, até porque há quem goste delas assim, a lembrar borracha!
Como em (quase) tudo na vida, acho que no meio é que está a virtude. No entanto, até as médias já são escassas. Aqui há dias, em São Miguel, pedimos uma dose de lapas grelhadas num restaurante. Achei que aquilo devia ser proibido: eram mínimas, quase pareciam moedas de cêntimo!
Já agora: cracas! Há por aí? Na minha modesta opinião, conseguem ser melhor petisco que as lapas. Por pouco, mas conseguem! :)