quarta-feira, 4 de julho de 2012

Gaspacho


  
                      Há poucas coisas que sejam mais prováveis, que saber pela vida um gaspacho gelado num dia quente de Verão.
Sendo “provável” o tema para esta 87ª Trilogia  com a Ana e o Amândio, foi assim natural que aqui figurasse essa notável sopa ou refeição do Mediterrâneo, na minha versão preferida, a andaluza.
Os gaspachos são preparações profundamente populares e enraizados na cultura ibérica do Sul e, como para todas os pratos vivos, não há para eles cânone ou sequer receitas fixas; pode dizer-se que cada um tem o seu gaspacho e que ele é assim o espelho do gosto de quem o faz.
Aparte os gaspachos especiais, como o Ajo Blanco ou o Salmorejo, o que define um gaspacho são os seus ingredientes básicos: azeite, vinagre, tomate, pepino, pimento e alho. 
Para além destes, entram também outros, de acordo com o gosto, tradição local ou familiar, até capricho de momento, o miolo de pão, cebola, orégão, pimentos previamente assados, etc.
Entre Portugal e Espanha, com os seus gaspachos alentejano (capacho) e andaluz (gazpacho), a grande diferença está no facto de por cá se apresentar com os ingredientes em pedaços e por lá totalmente liquefeito.
O gaspacho é um hino ao Verão, de tal modo que é impossível fazê-lo com as versões invernais dos frutos que o compõem, sob pena de sair beberragem intragável.
Este gaspacho é andaluz (porque moído), mas, de facto, é o gaspacho que fiz hoje e possivelmente diferente do que fiz ontem ou farei amanhã.
Fazer gaspacho é uma aventura contínua; faça-o a seu gosto, sem concessões a todos os doutos chefs que lhe vão dizer que é assim ou assado que se “deve” fazer. Experimente com pimentos verdes ou vermelhos, com ou sem pele, o tomate ao natural ou sem sementes nem pele, o alho com ou sem o veio verde, com ou sem pão, com ou sem cebola… esse será o seu gaspacho, como este é o meu:

Ingredientes:

2 tomates bem maduros
1 pepino
1 pimento maduro
2 dentes de alho
Pão duro
Sal e pimenta
Azeite  e vinagre
Orégãos
Água gelada e pedras de gelo

Preparação:

Descascar os alhos e o pepino, partir em pedaços todos os frutos, temperar de sal e pimenta, juntar o pão bem embebido em água e triturar no copo liquefactor.
Em relação à adição de azeite, cerca de meio decilitro ou um pouco mais, pode ser feita no fim, ficando o gaspacho mais vermelho, ou logo no início, formando emulsão e deixando o gaspacho mais cor de salmão. Pessoalmente gosto mais da adição inicial, que aveluda mais o gaspacho.
Junte por fim água gelada e pedras de gelo, mexa bem e sirva bem gelado, como aperitivo, entrada, lanche, bebida nutritiva, aqui serviu para companhia a uma tortilha de batata com aioli.


6 comentários:

anna disse...

As coisas que tu me fazes lembrar... quando era gaiata tinha uma vizinha alentejana que enchia os nossos fins de tarde de verão (meus e do meu irmão) com uns gaspachos fresquinhos e deliciosos... Chamava-se Felicidade, a vizinha, um nome muito bem posto...
Bela foto a do copo!
Beijinhos.

Jorge disse...

Caro Luís,

Apenas um lembrete, caso não tenha visto a minha questão no penúltimo post.

Já agora, liberto a minha frustração por ainda não ter apanhado tomates bons este ano e agradecer mais um post :)

vânia Jesus disse...

Mais uma trilogia fantástica. È delicioso vir a este blog.
Quanto ao gaspacho fiz uma vez em casa com tomate da horta e é realmente muito bom. O seu está com um aspecto delicioso.

Luís Pontes disse...

Caro Jorge,

As URL's que me mandou correspondem a ficheiros infectados e/ou, pelo menos, maliciosos. A tentativa de visualização foi danosa para o meu computador.
Já agora porque é que o meu nome faz parte destas url's?

Jorge disse...

Vou tentar fazer novo upload então.

O url deve ter o seu nome porque dei o seu nome à foto para identificá-la e creio que o URL assuma parte do nome do ficheiro. Penso que seja essa a razão. Caso seja uma situação incómoda, retiro-o sem problemas!

K disse...

uma sugestão:
Ao ingredientes referidos juntar um pêssego bem maduro e sumarento.
O resultado é mais acetinado e menos acido.