Fazer chouriço é, talvez, a
maneira mais saborosa de conservar carne, secando-a parcialmente e
transformando o produto final num monumento ao paladar, cada vez mais raro e
fugidio, agora que os produtos feitos com os métodos e vagares ancestrais deram
definitivamente lugar a versões mais ou menos industrializadas e à introdução
de substâncias químicas permitidas por lei e que de tão banalizadas
já se passou a nem reparar nelas, mesmo quando, estranhamente, provêm de
fumeiros DOP e certificados como “caseiros”.
Hoje, há coisas que, se as
queremos e não temos acesso a quem ainda as vai preservando, temos de fazê-las
e chouriço genuíno é uma delas.
Com a chegada do tempo frio,
chegou a altura dos enchidos, que fiz para todo o ano**, até ao próximo Inverno.
Desta vez, ao contrário do que aqui vos contei no que se refere a truques
citadinos para fazê-los sem fumeiro, decidi avançar para a alegria do bom
chouriço defumado a azinho, mesmo aqui no meio da cidade. Aperfeiçoei a técnica,
não só do enchido em si, como de conseguir um fumeiro eficaz (e não ser expulso
do bairro) e os resultados são os que se vêem.
Ingredientes:
Carne de porco (perna, ou lombo,
ou entremeada)
Toucinho (não se usa no chouriço
de entremeada)
Sal
Pimenta preta
Massa de pimentão
Alhos
Água (ou vinho branco)
Couratos (para a cola)
Tripa fina de porco
Carvão de sobro ou azinho
Madeira seca de azinho
Preparação:
Corte em pedaços as carnes, sendo
que o toucinho deve entrar na proporção de um terço ou metade do peso da carne
magra, consoante se queira menos ou mais gordo o chouriço. Tempere com sal,
alhos esmagados, pimenta e massa de pimentão (ou pimentão em pó). Junte água ou
vinho branco de modo a ficar molhado mas não a escorrer, mexa bem e deixe por
três dias.
Faça cola de carne, fervendo
couratos (os que tirou do toucinho) em água, durante duas horas e passando os
couratos e água de cozedura que os cubra, com a varinha. Forma-se um líquido
cremoso branco, com a consistência e aspecto de iogurte batido, que é a cola de
carne e que ao arrefecer se transforma numa substância dura, parecida com
borracha e que servirá para ligar os elementos dentro do enchido. Reserve.
Lave bem a tripa dos dois lados, esfregando-as com sal grosso e vinagre e passando-as por água corrente.
Lave bem a tripa dos dois lados, esfregando-as com sal grosso e vinagre e passando-as por água corrente.
Derreta num pouco de água
fervente, cerca de uma “noz” de cola de carne por cada quilo de massa de
chouriço, vaze este líquido espesso e leitoso na massa
e mexa tudo bem, para envolver.
e mexa tudo bem, para envolver.
Com o auxílio de um funil de
enchidos, faça chouriços de tamanho a seu gosto,
picando a pele de modo a sair todo o ar que lá pudesse ter ficado aprisionado, ate dois a dois se estiver a fazê-los simples ou um a um se estiver a fazê-los de argola.
Feitos os chouriços, chega então a hora de defumá-los e é aqui que entra a inovação, já que não é viável a manutenção em ambiente citadino de um lume de fumo em permanência, por questões de vizinhança. Parto do princípio que, se vive no campo e até tem um fumeiro, é porque sabe perfeitamente fazer chouriços e não estará a ler este post.
picando a pele de modo a sair todo o ar que lá pudesse ter ficado aprisionado, ate dois a dois se estiver a fazê-los simples ou um a um se estiver a fazê-los de argola.
Feitos os chouriços, chega então a hora de defumá-los e é aqui que entra a inovação, já que não é viável a manutenção em ambiente citadino de um lume de fumo em permanência, por questões de vizinhança. Parto do princípio que, se vive no campo e até tem um fumeiro, é porque sabe perfeitamente fazer chouriços e não estará a ler este post.
Aquilo que agora descobri é que são
diminutos os períodos em que é necessário produzir o fumo e que, em todas as
situações em que seja viável fazer-se um lume de fogareiro a carvão ou barbecue
de quintal ou até de varanda, também poderá sem problema fazer fumeiro.
Acenda um lume de carvão de boa
qualidade (sobro) e, quando as brasas estiverem bem estabelecidas, coloque
sobre elas a uma distância de 80-100cm, os chouriços dispostos em paus (como
cabos de vassoura).
De tempos a tempos, digamos duas a três vezes por dia, coloque então directamente sobre o braseiro uns pedacinhos de lenha seca de azinho, do tamanho de um dedo, não mais, que serão o suficiente para a produção, durante uns minutos apenas, de um fumo ténue mas poderoso que deixará os seus chouriços perfeitamente defumados enquanto o ar morno e sem cheiro do carvão os vai secando.
Se puder dar-lhes atenção ao longo do dia, terá os seus chouriços prontos em 4-5 dias e difícil mesmo será fazer esta delícia durar* até ao próximo Inverno.
De tempos a tempos, digamos duas a três vezes por dia, coloque então directamente sobre o braseiro uns pedacinhos de lenha seca de azinho, do tamanho de um dedo, não mais, que serão o suficiente para a produção, durante uns minutos apenas, de um fumo ténue mas poderoso que deixará os seus chouriços perfeitamente defumados enquanto o ar morno e sem cheiro do carvão os vai secando.
Se puder dar-lhes atenção ao longo do dia, terá os seus chouriços prontos em 4-5 dias e difícil mesmo será fazer esta delícia durar* até ao próximo Inverno.
Notas: * Faço a conservação dos enchidos por congelação,
embrulhados individualmente para evitar que ressequem.
**Claro que são só intenções: Dois chouriços
de argola por mês = vinte e quatro chouriços, mas com os “pedidos” e “encomendas”
entretanto aparecidos, ou muito me engano ou terei de fazer nova dose lá para…
Janeiro!


2 comentários:
Só mesmo tu, Luís Pontes...
Estão lindos! Antes de ler até ao fim pensei no que irias fazer com tantos chouriços, lol!!!!
Beijo.
Boa noite caro Luis.
Venho acompanho o seu blog desde que cheguei dos Açores onde estive 30 anos.
Os meus parabéns pelo seu maravilhoso blog e a sua forma de contar histórias.
Cumprimento carlos Alberto
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