sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Esparregado de Urtigas



                 Conhecida de todos como planta a evitar pelo efeito urticante das suas folhas, conhecida por alguns  pelas suas muitas propriedades medicinais e por muito poucos como planta comestível de alto valor nutricional e culinário, a humilde urtiga está aí à nossa disposição, gratuita, neste ano em que a muita chuva permitiu o seu desenvolvimento pleno em belos exemplares que só esperam que os colhamos e os transformemos em iguaria.

Ingredientes :

Folhas de urtiga
Azeite
Alho
Farinha (ou maizena, ou fubá)                
Sal e pimenta
Vinagre ou sumo de limão

Preparação:

Apesar de muitas técnicas mais ou menos estranhas e engenhosas que alguém conhece, a única verdadeiramente fiável para apanhar urtigas sem se picar, é usar luvas.
Na colheita, prefira as plantas que se desenvolvem nos sítios mais ensombrados e húmidos e que têm por isso as folhas mais desenvolvidas e finas, de preferência antes de terem as inflorescências formadas.
A única parte que se aproveita da urtiga, para fins culinários, é a folha, já que os caules são fibrosos; a primeira operação após a colheita será portanto separar as folhas dos caules, o que deverá fazer ainda com luvas.
Lave as folhas e escalde-as rapidamente em água a ferver temperada com sal. Esta operação provoca uma diminuição surpreendente e instantânea de volume (pelo que a colheita deverá ser grande), ficando as folhas escaldadas e escorridas, 
reduzidas e inofensivas para a pele, podendo a partir de agora ser manuseadas e ingeridas sem qualquer problema.
Esta primeira fervura rápida, dito “branqueamento”, remove também um travo a “chão” que as urtigas apresentam e deixam-nas prontas para serem cozinhadas, podendo usar-se para recheios, em sopas (como se de nabiças se tratasse) ou em esparregado que, na minha opinião, é a forma em que a urtiga revela todas as suas potencialidades gastronómicas, produzindo um esparregado de delicadeza e suavidade superiores ao de espinafre.
Depois de bem escorridas as folhas, corte-as fino, 
deixe escorrer mais um pouco e leve-as ao lume em azeite com alhos picados. 
Envolva bem, deixe cozinhar por um ou dois minutos e ligue então com uma colherinha de uma farinha ou fécula. Tempere com sal e pimenta e acabe com um golpe de vinagre ou sumo de limão.

6 comentários:

Comida de conforto disse...

Oh Luis, com esta é que você me mata!!Comer urtigas? Então eu passei a minha infância a coçar as pernas por, inadvertidamente, lhes tocar e agora... são comestiveis? :)
Agora fora de brincadeiras, o esparregado tem um aspecto fantástico, semelhante ao esparregado de nabiças, o meu preferido.

Lylia disse...

OI Luís,
Nunca imaginei que urtiga fosse comestível. VIvendo e aprendendo. Gostei da sugestão.
Prazer conhecer seu blog.
Lylia

rosa disse...

Quando era criança tinha um ódio às urtigas por tantas vezes me terem deixado as pernas a arder, esta proposta parece-me uma boa vingança para comer... quente.

Beta disse...

Em tempos vi um documentário que falava no uso culinário das urtigas, existindo mesmo uma confraria, lá para os lados do Norte! E também diziam maravilhas!
Nunca experimentei, mas pelo que expôs estou tentada...Parecem deliciosas! Excelente!

Só um parêntesis: não usar luvas de vinil - as urtigas picam na mesma (experiência própria)

Cps
Beta

E S disse...

Meus caros ignorantes,
Se vissem os programas do Jamie Olivier, um grande utilizador e apreciador do esparregado de urtigas, não tinham ficado tão espantados.

Horticasa hoticasa disse...

Desta semana não passa, vou experimentar, já há tempos que o queria fazer...
Depois ponho no meu blogue, obrigada desde já, eugenia