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sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Carqueja

                Própria dos maciços graníticos frios do Norte, onde é endémica e muito abundante, ocorre um pouco por todo o país desde que o solo tenha a acidez suficiente, o que à partida exclui os calcários e os ultra-básicos.

Se tiver a oportunidade de passar por uma destas nossas belíssimas montanhas pelos meses de Maio e Junho, poderá aproveitar para fazer a sua provisão de carqueja, já que é a altura em que as suas abundantes flores amarelas tornam mais fácil a sua localização.

A carqueja para uso culinário pode ser colhida o ano inteiro, já que em cozinha só se usa a parte verde da planta, uns curiosos caules ladeados por uma estrutura em forma de fita e que parecem sempre secos e duros. 
As flores amarelas e muito amargas, usadas em medicina popular como anti-hipertensivas, nos males digestivos, na diabetes e um pouco como erva panaceia, servem no entanto para mais facilmente localizar os arbustos da planta, embora ao pé da carqueja ocorra com muita frequência o tojo 
e as giestas amarelas, todas com flores algo semelhantes aos olhos leigos, 
pelo que deve sempre orientar-se pelo aspecto sui generis e único dos caules e não das flores.
A carqueja usa-se em culinária, depois de despojada das flores, para dar um sabor silvestre a pratos que, sendo tradicionalmente confeccionados com caça, perdem grande parte da sua personalidade ao serem feitos com carne da capoeira, como o coelho manso à caçador, as perdizes, faisões e codornizes de aviário e, claro, o famoso Arroz de Carqueja, de que já vos dei conta, aqui.


Nota: * Esta carqueja ( Pterospartum tridentatum) não tem nada a ver com a planta conhecida também por carqueja, no Brasil ( Baccharis trimera), esta muito popular no combate à obesidade.