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sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Defeso



               Isto está de ananases, como diria o Eça, a paciência para os calores da cozinha vai sendo cada vez menor e, principalmente, estão aí as férias!
Como de costume, inicia-se agora o meu período anual de defeso aqui no Outras Comidas, este ano um bocadinho maior que o habitual, já que as férias, encolhidas na lonjura, teve de ser, acabaram esticadas na duração e assim por aqui estarei de novo em Setembro para continuar estas nossas conversas à volta do que se vai comendo.
Até lá, irão aparecendo pontualmente, às Quartas-Feiras, as participações nas Trilogias com a Ana e o Amândio, que é coisa que não pode parar (estamos quase na 100ª Trilogia!).
Para todos os amigos e leitores do Outras Comidas, fica um até breve e votos de boas férias!


COMENTÁRIOS: Durante as férias, porque estou impossibilitado de ler os vossos comentários e de responder-lhes, como sempre tento fazer, deixarei desligada essa função, que será retomada de imediato em Setembro, quando eu voltar a estar convosco, no Outras Comidas. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Onde em dia de partir para férias se conversa sobre os vampiros do Zeca, lobos-maus do subúrbio gastronómico e umas hilariantes trutas “au bleu”, contadas como história para adormecer crianças.


               A Tia Nigella                           O Lobo-Mau                         O Tio Jamie

      
Não é que eu acredite em lobos-maus, “pero que los ay, los ay”!
Fique no entanto bem claro que por aqui se defende o lobo e que quando falo dos lobos, no título, me estou a referir ao arquétipo do bicho agressivo mas manhoso do Capuchinho Vermelho ou dos Três Porquinhos e nunca ao belo e ameaçado Canis Lupus.
  

O Outras Comidas faz hoje a sua pausa anual para férias de verão e este é o momento que, por mudança de ciclo, é propício a balanços, avaliações e intenções para o ciclo que se avizinha, agora enquadrado por uma austeridade que nos vai afetar a todos e que poderá dar sentido e utilidade, para além da recreativa, a esta partilha que neste cantinho da blogosesfera se faz das coisas das comidas, uns mostrando o que vão fazendo, comendo e descobrindo, outros partilhando a realidade prática com se depararam ao fazer esta ou aquela receita, cada blog com o ritmo e nível culinário que lhe é próprio, aqui todos nos divertimos, só os parvos se levam a sério, ninguém é juiz de ninguém e não se cozinha à compita.

Infelizmente, também temos por aqui, poucos, vá lá, alguns “lobos”. Vamos chamar-lhes assim por comodidade de linguagem apesar de sabermos bem que são totalmente destituídos da nobreza do lobo a sério, sendo antes bicheza peçonhenta, uns saca-rabos vestidos com pele de lobo que, como é sabido, se presta a muitas confusões (“lobo com pele de cordeiro”, “quem não é lobo não lhe vista a pele”, etc.): quando, daqui para  frente, falarmos de lobos é desta pestilência que estamos a falar, combinado?

Estes lobos são muito parecidos com os vampiros mas mais apurados; enquanto dos vampiros dizia o saudoso Zeca que comiam tudo e não deixavam nada, já os lobos além de comerem tudo como os ratos alados, têm ainda a característica de também saberem tudo, de culinária, de gastromia, de bom-gosto, de políticas, até tentando ultimamente entrar nesse campo restrito da ironia e do humor (saldando-se a tentativa por uma coisa com o nível gracioso de um concurso televisivo de Fernando Mendes).
Tal como os vampiros, também estes lobos gourmets de subúrbio vêm "com pés-de-veludo" pousar-nos neste cantinho dos nossos blogs gulosos e mais habituados a mostrar coisas boas que a ter preocupações com predadores e é isso que os torna mais perigosos.
Se alguém se engana/ com seu ar sisudo / e lhes franqueia /as portas à chegada… continuava o Zeca que os conhecia de ginjeira e os sabia São os mordomos/ do universo todo/senhores à força/ mandadores sem lei/…/ eles comem tudo/ e não deixam nada.
O difícil é apercebermo-nos de quem são os lobos, disfarçados como andam pelo meio de nós e por isso vou deixar-vos alguns sinais inequívocos de identificação e sigo assim de consciência tranquila para as minhas férias alentejanas:

1- O lobo grita mais que qualquer um.
2- Quando não está a condenar os outros, o lobo apregoa-se a si mesmo.
3- O lobo é venal: .agacha-se e lambe quem se acobarda e tenta morder tudo o que lhe pareça ameaçar a sua "incontestável" autoridade.
4- O lobo diz que sabe tudo sobre tudo e ainda muito mais sobre cozinha, assunto em que se proclamou juiz.
5- Quando não pode morder pelo lado culinário, o lobo ataca de forma pessoal, muito baixa e característica.
6- O lobo deslumbra o povo com a exibição do seu pedigree de conhecimentos e pretensas amizades, aristocráticas, culturais e de jet-set.
7- O lobo anda sempre com uma lata de Solarine com que vai puxando brilho aos galões dourados.
8- Olhando com muita, muita atenção, percebe-se que, em termos de cozinha real, vai ali uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Penso que esta lista exaustiva será mais que suficiente para que nenhum dos meus leitores de há tanto tempo deixe de poder identificar uma dessas peçonhas culinário/gastronómicas se a vir por aí. Se, no entanto, ainda subsistirem dúvidas, deixo-vos, como bónus, mais duas características que, a verificarem-se, darão uma identificação 100% segura:
9- Vasculhando nos seus escritos, encontra-se sempre alguma menção fortemente negativa (às vezes mascarada com alguma tentativa de ironia) à trindade "diabólica", Nigella Lawson, Jamie Oliver e “tias-de-Cascais”, sempre citados em conjunto.
10- Em qualquer altura, o lobo pode aparecer a dissertar sobre trutas “au bleu”.

Esta última particularidade dos lobos-culinários é, no entanto, tão engraçada, que não resisto a contar-vo-la como uma história:

  - Era uma vez um lobo velho e muito mau que tinha o covil na selva urbana dos subúrbios da Grande Cidade de onde tentava arrebanhar algum leitão tenro já que os dentes postiços não lhe permitiam dentadas mais firmes que isso.  

Mas os porquinhos e capuchinhos vermelhos andavam avisados e já não se apanhavam assim e o nosso lobo-mau acabava muitas vezes por ter de se contentar com um peixito e caldos knorr, lá do hipermercado.


Duma vez em que a fome apertava e os cubinhos milagrosos já tinham marchado todos a ver se enganavam a maldita, lá seguiu o nosso lobo até ao hiper para comprar umas trutas de rio, ainda vivas, de modo a poder cozinhá-las da sua forma preferida, au bleu.
Claro que só havia umas trutas reles, de viveiro e espanholas, todas amassadas pelo gelo e a 3.75€ o quilo, mas o nosso lobo tem aspirações a filósofo da cebolla dorada e lá voltou à toca com a truta espanhola para fazer a sua truite au bleu, prato de alta cozinha que só pode fazer-se com trutas acabadas de morrer, dado que a essência do prato e que lhe dá o nome bleu/ azul, é a cor que toma o muco que a truta produz em abundância e a reveste durante a sua agonia, que, ao ser cozinhado com prodigiosos cuidados num caldo avinagrado, coagula numa bonita cor azulada.
Mas o certo é que o nosso bom lobo-mau-filósofo que tudo sabe de cozinha, principalmente da “alta”, nunca tocou numa truta viva, nunca viu uma truite au bleu e, principalmente, nem sabe bem do que se trata, já que, para compor o ramalhete de santa ignorância, ainda foi lavar muito bem a trutinha que estava “toda peganhenta”. Claro que sem o precioso muco é que nem uma truta de Auvergne consegue ficar “bleu”, quanto mais uma do Jumbo… não gostou mas lá a enfardou melhor ou pior, que um peixinho mesmo de aviário, sempre é melhor que chupar um cubo knorr.





... e agora sigo para férias, este ano mais comedidas e nacionais, como os tempos difíceis aconselham e cada um faz a sua parte como pode. O Outras Comidas ficará até 17 de Agosto apenas ativo às quartas-feiras, cumprindo o calendário das Trilogias e desejo a todos os meus leitores umas boas férias!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Risotto de Chouriço e Alcachofras

........................... Não há tempo precioso como o de férias!
Na cozinha, é altura de extremos: podemos fazer aquele prato complicado e impossível durante o ano de trabalho mas também despachar refeições pois as férias são fugidias e há que aproveitar os minutos para fazer tudo o que há para fazer em férias.
No entanto, calor, praia, família, amigos não são desculpa para fast-food!
Que se queira comida rápida, pois claro que sim, mas faz-se comida tão boa e tão depressa sem ter de cair no hamburger, na sandocha plastificada ou no menu qualquer-coisa e coca-cola.

Com arroz e ingredientes simples fazem-se refeições equilibradas, saborosas e rápidas, ideais para esta altura do ano.
Este risotto que aqui vos deixo é uma forma de requintar um simples arroz quando as condições de confecção são escassas, seja porque se acampa, seja porque se dispõe apenas de um trem de cozinha minimal como os que equipam casas de férias ou auto-caravanas ou ainda porque se tem meia hora para pôr uma refeição na mesa e nada planeado.
Os risottos são pratos simultaneamente completos, equilibrados (enfim, conforme o que têm dentro, claro) e rápidos, que se fazem como um simples arroz, com pequenas diferenças de execução mas nenhuma complicação e que proporcionam na mesa uma grande satisfação com um investimento mínimo.
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O que se fez foi um risotto de chouriço alentejano (estou de férias na costa do Sudoeste Alentejano) e corações de alcachofra de lata. Naturalmente que esta última opção apenas se justifica assim nestas condições, já que o delicado sabor da alcachofra desaparece totalmente na conservação. Mas notem que este é apenas um exemplo. As variações são infinitas e o que muitas vezes manda na composição de um risotto é o que há disponível no momento. No entanto a técnica de fazer um risotto é sempre a mesma e os resultados sempre de chorar por mais.
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Ingredientes:
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1 fundo de azeite
1 cebola média
1 dente de alho
1 copo de arroz Arbório (ou outro p/ risotto ou ainda Carolino*)
1 copo de vinho branco
15cm de chouriço muito bom.
1 lata de corações de alcachofra
Sal e pimenta
100g de queijo prato vulgar (usei um resto de Alavão)
Parmesão (facultativo)
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Preparação:
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Pique a cebola e o alho e aloure-os em azeite.
Junte o chouriço e o arroz e frite-os até o arroz se mostrar transparente.
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Junte então o copo de vinho de uma só vez e deixe evaporar por completo. Comece então a juntar àgua quente aos poucos, digamos meio copo de cada vez e vá sempre mexendo.
O que verdadeiramente difere num risotto de um arroz português é, além da qualidade do bago, este vinho inicial e estar sempre a mexer, para que o amido se vá libertando e engrossando o caldo.
Tempere.
O processo de adição de água e de mexer continua até o arroz estar cozido. Esqueça as receitas que lhe dizem para o fazer por 13 ou 15 ou 16minutos exactos, é treta! O arroz está cozido quando desaparece o filamento branco central de cada bago e portanto o tempo é o que demorar e varia muito de arroz para arroz e até dentro da mesma variedade.
Assim que o arroz estiver cozido, junte o queijo prato em fatias e mexa bem para que funda e se misture com o molho, engrossando-o e dando-lhe aquela toque característico dos risottos.
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Ajuste então a quantidade de líquido final que deve ser frio para parar o cozimento do arroz e junte então as alcachofras partidas em pedaços grandes. Envolva e sirva logo. Deixe que cada pessoa rale parmesão se quiser, no prato.
Nota: Os bagos de arroz próprio para risottos tê a característica de resistirem bem a cozedura prolongada sem abrirem. Se usar o Carolino, que faz um risotto de sabor magnífico, deve ter muito cuidado com o momento em que interrompe a cozedura com o último líquido frio, pois corre o risco de abrir se se descuidar, o que é imperdoável num risotto.

sábado, 5 de junho de 2010

A Receita

.......................... Dantes, era vê-los a calcorrear arribas e praias à caça das poucas-vergonhas que teimavam em conspurcar a moralzinha vigente nas praias portuguesas.
Era assim o cabo-de-mar na sua missão civilizadora e polícia de costumes, sempre a ver pano a menos e pele a mais à procura do Sol e a multa sem perdão, e que multa gostosa, sim senhora!
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Agora que os tempos mudaram e que já ninguém se emociona, nem os cabos-de-mar, com palmos a mais ou na menos de pele nua e dourada, passaram a sua atenção para essa delícia única que o mar oferece a quem se atreve a apanhá-los (e vende a quem prefere comprar), as percebes!
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Agora a luta é outra.

Poderia pensar-se que motivos ecológicos ou de protecção da espécie, pautavam a incessante demanda destes novos cavaleiros das nossas arribas costeiras, mas não: aqui, o que se protege é a receita, a fiscal, claro.
Se for apanhador profissional e pagante de taxas, apanhe o que quiser; se for amador amante da Policipes, então pode apanhar até um quilo e ….. só com as mãos!
Para quem não saiba, não se podem apanhar percebes só a puxar com os dedos.

É assim que este que por aqui vos vai escrevendo se torna um fora-da-lei, um robin dos bosques dos rochedos, um zé do telhado dos percebes que teima em tornar-se um foragido nas férias, sempre que sai para apanhar o petisco máximo, cozido em água do mar e longamente saboreado em horas inesquecíveis que fazem valer bem o risco e a aventura de andar a fugir do cabo-de-mar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Atum de azeite e vinagre!

......................... As férias são o tempo, por excelência, das refeições-minuto.
Se há dias em que até se arranja um tempinho para cozinhar, outros há em que as soluções se tornam verdadeiramente minimais, uma lata de atum com umas batatas e cebola por cima e está o almoço aviado que há tanto e tão bom para fazer!
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Deste almoço que me soube divinamente, não sei há já quantos anos não comia uma lata de atum com batatas, não vos vou deixar a “receita”, descansem, antes falar de algo que temos de fazer antes, perante a prateleira do super-mercado, algo que está na nossa mão, mesmo só na nossa mão e que pode fazer a diferença para o futuro deste nosso amigo de sempre, o atum.
Estas são duas latas de atum. Uma barata, outra cara, uma produzida com consciência ambiental, outra com predação e ganância.


Curiosamente, a barata (Nixe, Lidl) é a consciente, a cara (Tenório) a predadora.
Quando comprar atum, não custa nada ver se a marca tem impresso este pequeno símbolo azul, o da pesca sustentável.


Convenhamos que é muito mais importante que saber que o Tenório ganhou uma medalha na Exposição da Tapada de 1864!




sábado, 4 de julho de 2009

FÉRIAS e REFLEXÃO

....Dentro de dias parto para férias que, em princípio, deverão prolongar-se até 16 de Agosto.
Estas férias serão também, de algum modo, o fim do Outras Comidas como o conhecem.
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Quem se habituou a encontrar aqui, com alguma regularidade, as comidas que vou fazendo, talvez tenha notado que há já um tempo que por este blog não se cozinha.
As velocidades de cruzeiro são perigosas, as rotinas e automatismos anestesiantes impõem, se queremos ser consequentes e coerentes, pausas para reflexão e análise, desapaixonadas e críticas, auto-críticas neste caso.
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Toda a actividade de interacção, mesmo esta aparentemente tão inócua de escrever simpáticos e inofensivos blogs de comidas, gera responsabilidades bem mais profundas que estas alegres patetices com que vou fingindo ser parte de uma vasta comunidade, afinal composta quase toda de envergonhados pseudónimos. Em dois anos de actividade regular, sobram-me dedos só das mãos se quiser ordenar as pessoas que efectivamente se tornaram, saindo da virtualidade anónima, qualquer coisa aparentada com uma amizade, mesmo asséptica…
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Não sei ainda o que irá ser o Outras Comidas a partir de 16 de Agosto, mas terá forçosamente por passar por algo bem diferente deste conjunto amorfo de episódios mais ou menos calóricos que a ninguém aproveitam verdadeiramente, excepto, é claro, ao inchado ego do autor/cozinheiro/voyeur que assim se exibe/espreita, contente, perante uma plateia, quem sabe imaginária…
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Aquilo em que o Outras Comidas se tornará, terá de ser algo que o torne mais que um pequeno palco desta grande feira de vaidades culinárias inconsequentes. E há muito por fazer e por dizer, mesmo através de comidas, neste mundo tão precisado de intervenção.
É o que vou descobrir nestas férias!

Boas Férias!
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Nota:
A quem chegou a este final do post e se interrogou o que seriam estes estranhos números coloridos que hoje aqui foram aparecendo ao longo deste texto , saiba que representam, aproximadamente, o número de crianças iguais aos seus filhos que morreram de fome no mundo enquanto o leu. Dá que pensar, não é?
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Férias à Chuva

O ideograma japonês que representa a ideia de bênçãos é dos mais simples: umas pintinhas a desenhar as gotas de chuva. Chuva é bênção!

Desenganado por todas as previsões meteorológicas, nacionais e planetárias, foi para esta prevista chuva que parti antes que 2008 acabasse e, um pouco por toda a parte, se entrasse na histeria colectiva que, todos os finais de ano, agenda programada folia, consumismo, optimismo e outros “ismos” radiosos, a fingir que tudo o que é mau vai acabar e o próximo terá enfim muita Paz, o fim da fome e da guerra, amor entre os homens e mulheres deste canto do universo, enfim, vocês sabem, a conversa das misses qualquer sítio quando são eleitas… mais a mãe da primeira criancinha da maternidade Alfredo da Costa a nascer no novel ano, toda contente por ir aparecer na televisão, mais o pimpolhinho todo vermelho e enrugado, e receber 500 fraldas descartáveis e 100 quilos de nestum ou cerelac, que a vida afinal parece que não está nada boa!

Eu, em passando o adorado Natal, entro em fase de melancolia, como se dizia antigamente.
Como não sou dado a depressões, diria antes que me vou chateando até, lá para 31, estar tão chateado como um peru a 24!
Este ano, decidido a não ter que fingir, educadamente, a tal alegria etílica da “passagem”, decidi fugir para o Mar, para a última costa intocada e maravilhosamente selvagem que nos resta: o Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Telemóvel desligado para não receber aqueles votos de bom ano pré-formatados, com um arremedo de poesia , frase filosofóide ou até graçola brejeira que todos tão bem conhecemos, ( como aquilo se copia e reencaminha, lá para a meia-noite já se têm várias repetidas), na companhia da Maria José, que é, felizmente, da minha “espécie”, um grande frango mesmo do campo e grande vontade de ir ao peixinho “lá de baixo”, fomos na “Alta”, que é o “petit nom” da nossa autocaravana, velha companheira de muitas e boas viagens por esse mundo fora.

Os bons amigos livros, o bom vinho indicado pelo Cupido, o Sol e a maré a possibilitarem uma generosa colheita de percebes (e o primeiro banho de mar do ano) no Monte Clérigo, a visita da Isabel e do Joaquim, nas arribas da costa frente à Ilha do Pessegueiro, os petiscos, é claro, e também as noites uivantes das falésias selvagens e águas revoltas, fizeram destas curtas férias uns dias inesquecíveis de cuja vertente gastronómica vos darei conta a partir de amanhã, aqui.

No fim, ontem, fui ainda visitar a Gina, sim, a tal dos biscoitos de que vos falei e de outras travessuras de infância, hoje com 83 anos, rija, na sua casa de Relvas Verdes.

Em relação às fotos, não tenho, infelizmente, grande coisa a apresentar. Eu tenho uma máquina relativamente sofisticada; bom, de qualquer modo bem mais sofisticada do que o fotógrafo, pelo que, naturalmente, deixo-a trabalhar sozinha e pouco mais faço que carregar no botão.
Desta vez, como o tempo estava assim cerrado, armei-me em profissional, passei a maquineta para modo manual, pois claro, mexi em todos os botões, alavancas e joysticks e o resultado … está à vista! Só se safam as de comida, que são feitas num formato predefinido. :-)




A "Alta" junto ao mar, nos Eivados.


A Maria José, o João, o Tomás e a Isabel, frente à Ilha do Pessegueiro.

Praias pequenas e desertas, ainda sem nome "oficial"


A bela Praia da Arrifana

Costa da Carrapateira. Algures naquela ponta, lá ao fundo, está a Risonha.

Monte Clérigo. Dia de praia e percebes!

Praia do Amado, a costa ainda intocada (por quanto tempo?)

Eu, a Maria José e a Gina (sim, a própria dos "biscoitos")

quinta-feira, 17 de julho de 2008

FÉRIAS

Este espaço (e também o Comidas Caseiras) vai de férias comigo e é já amanhã!
Durante um abençoado mês a vida fica simples e cheia de sabores distintos e frescos, só possíveis nas antigas vilas piscatórias como aquela, galega, que será cenário de retempêro até dia 18 de Agosto.
A todos os que me visitam por aqui, se for esse o caso, desejo umas excelentes férias.



(alguém sabe onde é?)
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