Mas o Cupido fez o favor de dar o empurrãozinho fatal, ao indicar o tema “fritos doces” para esta 63ª Trilogia comigo e com a Ana e, estando definitivamente passada a época natalícia e suas filhoses, rabanadas e coscorões, seria pois a vez desse bolo de todo o ano e de todo o mundo, a Bola de Berlim.
As Bolas de Berlim são, com pequenas variações, quase sempre no recheio, um bolo global, aparecendo em culturas pasteleiras tão improváveis como Israel (Sufganiot), Austrália (Berliner), E.U.A. (Bismarcks), Brasil (Sonhos), República Checa (Kobliha) ou Itália (Bombolone).
Infelizmente, as saudosas bolas de outrora, que resplandeciam, gulosas, com a boca amarela a rir para nós, em cada café, pastelaria ou leitaria, ou ainda nas praias, cada uma com algo que a distinguia, foram hoje substituídas por uns bolos normalizados, “melhoradas” com Tegral, um pó da multinacional dos bolos, que sendo “Produto completo em pó para o fabrico de Bolas de Berlim. Vantagens - Obtenção fácil de bolas de berlim, fofas e saborosas. Excelente tolerância fermentativa, volume e aspecto.”, fez às bolas de Berlim o que já havia feito aos queques, madalenas, bolos de arroz e tudo o resto que por aí aparece hoje à venda, iguais, bem comportadas, sem falha nem brilho, apenas melhores do que umas outras, espécie de donuts na massa, sem buraco nem vergonha, que de bola só têm o nome usurpado.
Mas estas não são donut sem buraco nem feitas com uns pós melhorados, apenas com os bons e saudosos ingredientes naturais que davam todo o sabor às antigas Bolas de Berlim.
Ingredientes:
300g de Farinha de trigo 55
12,5g de Fermento de padeiro fresco
40g de Açúcar
60g de Manteiga
1 ovo +1 gema
Raspa de Limão
Creme Pasteleiro :
1dl de água
100 grs de açúcar
50 grs de farinha sem fermento
2 gemas + 1 ovo
Limão ou baunilha q.b.
1 colher de sopa de manteiga
Preparação:
Amasse 50g da farinha com o fermento e um pouco de leite e deixe a levedar abrigado de frio.
Peneire os restantes 200g de farinha para uma tigela, junte todos os outros ingredientes
e a massa já levedada (i.e. que duplicou o volume inicial) e amasse tudo muito bem, à mão ou à máquina, até que a massa se despegue perfeitamente da parede da tigela.
A consistência deve ser a de massa de pão.
Polvilhe a tigela com farinha, ponha lá a massa e deixe levedar até duplicar o volume.
Com os dedos enfarinhados, retire pedaços com o volume aproximado de uma noz grande, para bolas pequenas e do tamanho de uma tangerina para bolas grandes, molde-os em bola e coloque-os num tabuleiro forrado com um pano enfarinhado,
onde devem voltar a duplicar o seu volume.
A fritura faz-se em óleo quente abundante mas lume brando (150ºC).
Quando estão louras, escorrem-se rapidamente e envolvem-se logo em açúcar. Se esperar muito o açúcar não agarra. As quantidades indicadas fizeram 6 bolas pequenas e 6 grandes.
Se quiser rechear as bolas deve esperar que arrefeçam, golpeá-las de lado com uma tesoura
e rechear com Creme Pasteleiro.
Este creme prepara-se juntando e misturando muito bem, a seco, açúcar e farinha, junte depois o ovo e as gemas e mexa bem.
Ferva o leite e água, com a manteiga e baunilha ou limão, junte a mistura e, mexendo sempre, leve ao lume até levantar fervura.
Retire do lume e coloque num recipiente para arrefecer.