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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bag in Box - Amoreira da Torre 2009



Fui um dos cavalheiros da enorme távola redonda do David, mas pouco sei sobre adstringência, excesso de taninos, pouca acidez, vou para sempre evoluir mal na garrafa, só sei se gosto ou não gosto.”
     Rui Cardoso Martins in Evocando David Lopes Ramos, Clube de Jornalistas, 30-4-2011

Há palavras que dizem tudo de nós, apesar de vindas de outra pena e é inútil procurarmos outra forma de dizê-las: este sou eu frente aos vinhos, igualzinho ao Rui Cardoso Martins, que as escreveu e a muitos dos meus leitores que, como eu, bebem um copo de vinho à refeição, não a todas ainda assim, e  confrontam-se diariamente com a questão de como conservar uma garrafa de vinho aberta por dois ou três dias sem que o bom vinho do dia de abertura perca grande parte da graça e, para o fim, já não tenha mesmo graça nenhuma.
É para todos nós que gostamos de vinho mas não estamos na esfera iniciática das provas, dos enófilos, dos néctares raros, do wine pairing, dos vinhos "difíceis" dos grandes conhecedores, que este sistema de acondicionamento de vinho de que vos vou hoje falar é absolutamente indicado: o Bag in Box!

 O formato “bag-in-box” (BiB) fecha o vinho em bolsas de plástico alimentar, por regra PET, cobertos por uma folha de alumínio. O princípio é em tudo semelhante à técnica isolante das famosas embalagens Tetra-Pak. Estes sacos (bags), que permanecem invisíveis dentro de uma caixa de cartão (box), costumam conter  2, 3, 5, 6 e 10 litros, sendo os mais vulgares de 3 ou 5 litros. Incluída na embalagem está  uma torneira de serviço com uma válvula de passagem que impede a entrada de ar. Essa torneira permite dosear com precisão o volume de vinho a ser servido.
O formato BiB é comum nos países mais evoluídos do norte da Europa  onde chega a representar 50% do volume de vinho vendido, mas no  sul da Europa a sua aceitação tem sido mais controversa, estando a enofilia destes países, tradicionalmente elitista e conservadora, renitente em aceitar esta inovação técnica e criando no consumidor a ideia de que grandes volumes (exceto as suas queridas magnum) são sinónimo de vinhos de qualidade inferior.
As vantagens do “bag-in-box” para o consumidor são evidentes: como o vinho é embalado em vácuo e o saco vai-se esvaziando sem que haja entrada de ar à medida que o vinho vai sendo consumido, mantém-se sempre fresco, sem quaisquer sintomas de oxidação.

Do ponto de vista ambiental, a passagem para esta embalagem teria um impacto positivo tremendo, como refere a Revista de Vinhos nº227: "Um BiB de 3 litros gera cerca de metade das emissões de uma garrafa de 0,75l. Se 97% dos vinhos a serem bebidos jovens passasse para BiB, conseguiam-se reduzir a emissões de gases de efeito de estufa em 2 milhões de toneladas, o equivalente a retirar de circulação 400 mil automóveis".
Infelizmente são ainda muito poucos os produtores que, entre nós, têm a ousadia de apresentar esta opção de embalagem para os seus vinhos, sendo que alguns, envergonhados, o fazem para exportação mas não se atrevem ao mercado nacional.
Felizmente, porque há em todos os campos uma valorosa pequena percentagem de inovadores e gente que não se deixa amedrontar pelas mainstream ideológicas, já vai sendo possível encontrar vinhos de valor em BiB's nos nossos supermercados, distinguem-se pelo preço , um pouco mais alto que os correntes mais vulgares (infelizmente, nenhum enófilo se atreve ainda a dar nota a um vinho BiB).

Produzido em Montemor-o-Novo em vinhas antigas da Herdade da Amoreira da Torre, reconvertidas para agricultura biológica, agora certificada, com castas Trincadeira, Aragonês e Cabernet, este Amoreira da Torre 2009 é um vinho de que muito gosto, que conheci nas noites de tertúlia no Espaço do Tempo, o espaço coreográfico e cultural de Rui Horta, no castelo de Montemor-o-Novo.
Pode comprá-lo a 8.99€ nos Continente, em BiB de 3 litros e é um encontro com um vinho que Paulo Laureano faz respeitando o que a Natureza opera quando transforma uvas em vinho.
Não esqueça, quando o beber, de esperar um pouco para deixar o néctar "abrir" no copo: é que no sistema BiB, de cada vez que se serve, é como se a "rolha" tivesse sido acabada de tirar!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Visão - Edição Verde 2010

............ Está hoje nas bancas mais uma edição "verde" da revista Visão.
Desde um precioso balanço sobre o estado deste planeta em que todos andamos, até questões tão importantes como os sítios em que podemos encontrar alimentos amigos do ambiente para os nossos pratos, esta é uma edição a não perder!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

3º RANKING DE SUPERMERCADOS

....................... A Greenpeace acaba de publicar o Ranking de Supermercados portugueses no que se refere à adopção de políticas sustentáveis em relação ao peixe que comercializam.
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Através de estudos como este, podemos escolher entre sermos cúmplices da destruição do nosso planeta, colaborando com as vergonhosas práticas ambientais do Grupo Jerónimo Martins, (Pingo Doce, Feira Nova), onde se continua a ver a comercialização intensiva de espécies praticamente extintas como o tubarão, atuns de meio quilo, redfish, etc., ou, pelo contrário, escolhermos, ao comprar, aqueles que colocaram o interesse ambiental acima da mesquinha ganância, como o Lidl ou o Grupo Sonae.
Segue o texto retirado da publicação da Greenpeace, apenas os sublinhados são meus:
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"Em 2010, dois anos depois do lançamento da campanha da Greenpeace, o conceito de sustentabilidade parece ter sido interiorizado pela maioria dos retalhistas em Portugal.
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A transparência do sector de retalho também tem vindo a melhorar, com cada vez mais informação veiculada ao público e três políticas de pescado responsável já publicadas.
Neste terceiro Ranking de Retalhistas,
o Lidl mantém-se líder, aproximando-se do verde, por ter dado passos concretos e seguros no sentido de excluir o pescado mais insustentável e favorecer as melhores práticas de pesca.
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A Sonae e Auchan são semelhantes nas suas políticas, sendo que a Sonae leva a vantagem por partilhaar pormenores do seu plano para rever a gama de produtos de peixe que oferece, conseguindo assim entrar na gama laranja.
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As distribuidoras detentoras de marcas como Intermarché, Minipreço, Pingo Doce e Feira Nova continuam claramente a vermelho, com poucos progressos a reportar.
No fundo da tabela, encontra-se mais uma vez o grupo Jerónimo Martins, que se recusa a entrar em diálogo com a organização e a responder ao pedido de milhares de consumidores para que contribua efectivamente para a preservação da vida dos oceanos."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uma "Visão" importante...



Estará nas bancas amanhã de manhã e é um número imperdível da Visão, esta edição Verde onde ao longo de 228 páginas se faz um balanço lúcido sobre tantos aspectos ligados ao ambiente e ao nosso futuro e que nos passam literalmente ao lado (ou assim fingimos acreditar).
Entre muitas das coisas que por aqui nos interessam directamente, ficará, por exemplo, a saber que uma laranja do Algarve emite 2 gramas de CO2 para chegar a Lisboa e que outro fruto, uma Manga brasileira transportada por avião, emite 4,93 quilos para aqui chegar!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Frango que Estiiiccaaa!

......... Já aqui vos falei da questão magna da falta de água planetária, do consumo espantoso provocado pela produção intensiva de carne e até dos melefícios para a saúde humana do consumo excessivo desta proteína.
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O frango constitui uma das proteínas animais mais baratas à nossa disposição e também uma das que menos água consome durante a produção. No entanto, os nossos hábitos alimentares tendem a consumi-lo em quantidades absurdas, sendo vulgar considerar-se meio frango como a quantidade "normal" para uma pessoa.
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O exercício que hoje aqui vos deixo e a que chamei Frango que Estica, é uma versão de frango panado em pequenos pedaços que faz um frango médio chegar (e sobrar) para 8 pessoas! Nem se trata aqui tanto de economia (embora fique por cerca de 60cents/pessoa/refeição) mas de consumir a carne de acordo com as nossas necessidades fisiológicas, parecer que comemos à descrição e ser um prato que provoca uma adesão extraordinária por parte de adultos e miúdos!
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Ingredientes:
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1 Frango médio (900g/1Kg)
Sal, Pimenta em grão, Pimenta moída
Ovos
Pão ralado
Óleo
Sumo de limão
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Preparação:
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Coza o frango em água temperada com sal e alguns grãos de pimenta. Deixe arrefecer.
Retire ossos e pele, parta a carne em pedacinhos pequenos, como se fosse para um fricassé, tempere estes pedaços com pimenta preta moída e deixe no frigorífico por 1 hora.
Pane* estes pedaços passando-os por ovo e pão ralado duas vezes. A excelência obtém-se fazendo uma primeira passagem por ovo e pão ralado fino, deixar secar bem durante cerca de 15m e depois panar outra vez passando por ovo e pão ralado grosso (ou farinha de milho grossa/carolo), mas claro que também não fica mal se panar duas vezes com o pão ralado que tiver em casa.
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É aqui que se dá o "milagre" do crescimento do frango para mais do dobro do seu volume original!
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Frite em óleo muito abundante, quente e que cubra os pedaços por completo. Eu uso a frigideira alta, das batatas fritas. O óleo fica imprestável após a fritura pelo que se usar uma fritadeira vai deitar uns litros fora, pense nisso.
Escorra em papel absorvente para ficarem bem secos e estaladiços e regue com sumo de limão assim que saem do lume.
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Acompanhe com o que quiser, no meu caso fiz um arroz (carolino) de "canja" que é muito popular por aqui e fica delicioso.
Não esqueça que, com fritos, tem mesmo que ter uma salada verde.
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Nota:
* Panar é passar por ovo - pão ralado (ou outro "areado seco") no caso de o alimento a panar estar já cozinhado. No caso de crus, far-se-á então farinha - ovo- pão ralado.
Em qualquer dos casos, se panar duas vezes, a fase ovo-pão ralado, obtém uma crosta muito mais estaladiça, seca e que se aguenta mais horas, mesmo depois de fria.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EARTH WATER - You Never Drink Alone!


Arrancou em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade.
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A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.
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A nível nacional, a Earth Water é um projecto que conta com a colaboração da Tetra Pak, do Continente, da Central Cervejas e Bebidas, da MSTF Partners, do Grupo GCI e da Fundação Luís Figo.

Com o preço de venda ao público (PVP) de 59 cêntimos, a Earth Water, «A água que vale água», oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR».
Actualmente morrem 6 mil pessoas no mundo por dia por falta de água potável.
Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.
http://earth-water.org/
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Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" pretende-se criar a noção de que só uma atitude solidária poderá minorar essa catástrofe que é, já hoje, a falta de água mundial.
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AJUDE!
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COPIE E PUBLIQUE ESTE POST NO SEU BLOG - TORNE ESTA MENSAGEM GLOBAL!
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

AÇORES - o atum sustentável ou a grande fraude?

AÇORES

"O atum e o bonito de Santa Catarina, da fábrica homónima situada na ilha de São Jorge, nos Açores, é pescado à linha e como tal sustentável. Para além de ser um dos melhores atuns enlatados do país...Encontra-se à venda nos supermercados do continente."

Este comentário, que IGY enviou no último post sobre ceviche, encheu-me naturalmente de alegria. É bom vermos que, afinal, nem tudo é negro.

Pena que, normalmente, nestas áreas as alegrias são breves. E foi!

Infelizmente, a realidade é bem outra: A Santa Catarina fechou há um ano por falta de atum, recebeu subsídio do Governo (Portaria n.º 414/2005 de 27 de Setembro ) para estabelecer uma fábrica em S. Tomé e Príncipe de modo a explorar as espécies locais aparentadas (atum fulo-fulo), passou a trabalhar com atum importado de Espanha, pescado onde os espanhóis o forem comprar, no Atlântico não será por certo, e estabeleceu acordos com a COFACO (Atum Bom Petisco) para lhe fornecer matéria-prima das suas importações e capturas africanas.

A Cofaco (Bom Petisco), tem um marketing poderoso e ostenta para o grande público uma fachada de inocência e consciência ambiental cheia de "certificações" e "amizades ao oceano", dizendo que o atum é pescado artesanalmente no mar dos Açores, etc. embora na verdade faça estas aquisições através de terceiros (a Santa Catarina) pois a verdade é que já não há atum em quantidade credível nos Açores.

Para que não fiquem dúvidas ficam aqui os links:

http://videos.sapo.pt/TaVIWvQTQO1e7DFZz65w

http://ww1.rtp.pt/acores/?article=9752&visual=3&layout=10&tm=5

http://www.azoresglobal.com/canais/noticias/noticia.php?id=790

http://www.bompetisco.pt/ecologicalConcern.html

Peixe sustentável é aquele cuja captura não destrói o meio ambiente e o ecossistema marinhos e garante a subsistência das populações costeiras que vivem da pesca.


Sendo 70 por cento do peixe comercializado em Portugal vendido nas grandes superfícies, a sua capacidade para influenciar o modo como a indústria de pesca opera é crucial para a salvaguarda sustentável, quer das espécies, quer das pescas.

Os supermercados deveriam retirar das prateleiras espécies cuja captura (no caso do peixe selvagem) ou cultivo (no caso do peixe de viveiro) tenha um impacto negativo no ecossistema marinho e avaliar se as espécies que vendem são provenientes de stocks que estão gravemente ameaçados.
Entre estas contam-se algumas das mais vendidas em Portugal, como o bacalhau do Atlântico, o atum, o linguado, o peixe espada branco, salmão, tamboril e várias espécies de pescada e camarões.

Portugal, enquanto um dos maiores consumidores mundiais de peixe per capita, pode desempenhar um importante papel na defesa da sustentabilidade da pesca e dos oceanos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MENOS CARNE - MAIS ÁGUA

Não costumo misturar os aspectos ligados à minha vida profissional, como terapêuta, com os assuntos temáticos dos blogs.
Se hoje o faço, ainda que levemente, é porque um tratamento oriundo da área yogue é um suporte indiscutível para o que a seguir, gastronomicamente, se propõe.

O 'shanka prakshálana' é uma formidável técnica de desintoxicação e purificação, que consiste em fazer uma lavagem completa do tubo digestivo.
A técnica em si é bastante simples: consiste em beber água levemente salgada que é guiada através do tubo digestivo através de uma série de exercícios.
À medida que o líquido é eliminado, observa-se a expulsão daqueles resíduos e sedimentos que normalmente se acumulam nos intestinos.

E que resíduos!
Juntamente com a água de lavagem evacuada são eliminados, literalmente, quilos de uma imundície negra, pútrida e pegajosa que revestia o interior do nosso tubo digestivo.
Esta "aderência" tóxica é o resultado de anos de ingestão de carnes e proteínas animais em claro excesso em relação às reais necessidades do organismo.

É geramente aceite que as necessidades de proteína de origem animal para um adulto normal rondam os 60g diários, ou seja, 30g por refeição.
Basta uma volta pelas nossas receitas para se ver que consumimos qualquer coisa como 7 a 8 vezes aquilo de que realmente necessitamos.


A produção intensiva de carne a nível global é um dos piores pesadelos ambientais com que a Humanidade hoje se depara: Desflorestação, consumo de cereais, emissões de CO2 e de metano, poluição hídrica de superfície, contaminação de aquíferos, redução de habitats selvagens e, por último mas talvez o principal, o desmesurado consumo de água doce, o bem cada vez mais escasso do planeta neste sec. XXI.

No topo do consumo de água figura a carne bovina, responsável por 15.000litros por quilo!!!
Se pensarmos que um quilo de arroz consome 1500 litros e de trigo 170litros, pode avaliar-se o impacto de qualquer diferença no consumo de carne à nossa mesa.
Um BigMac consome a água de 17 duches e é responsável pela destruição de 50m2 de floresta amazónica...

Se, com a carne de um "belo" bife de 250g der de comer a toda a família de cinco pessoas, poupa ao planeta 15.000 litros de água, poupa 8 € à sua carteira, poupa nas doenças cardiovasculares, enfim, ficamos todos a ganhar.

Uma cozinha simultaneamente do agrado ao paladar, saudável, económica e amiga do ambiente será tema para algumas das receitas que se seguem aqui, no Outras Comidas.
Até já!

Nota (vegan):
Perdoem-me os vegetarianos, eu não o sou, e não irei fazer tal tipo de apologia.
Eu penso que é uma via respeitável, mais ideológica que fisiológica, e que a adesão a qualquer tipo de alimentação para a qual não estamos fisiologicamente bem preparados, como é o caso do vegetarianismo puro, requer uma forte preparação técnico-teórica que não deixe lugar a carências e porta aberta para eventuais doenças.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Mar está a morrer! (pesca sustentável)

O mar está a morrer!

O nosso apetite insaciável por peixe e a ganância de indústrias cada vez mais poderosas e sem escrúpulos que não sejam os do lucro desenfreado e imediato, transformou os oceanos, berço e suporte de toda a vida, em desertos explorados até à exaustão total.
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Numa altura em que, por todo o mundo, a ordem "democrática" predominante faz com as prioridades de quem governa sejam os seus interesses pessoais, a eleição e a reeleição, impedindo assim qualquer medida realmente eficaz mas necessariamente impopular, a última esperança, se é que ainda há lugar para alguma, poderá estar nas mãos de quem detém o verdadeiro poder económico global: o consumidor, nós!



Ninguém pescará o que o consumidor recusar comprar! As leis de mercado também funcionam ao contrário.
Claro que este poder põe-nos nas mãos uma responsabilidade tremenda, na realidade uma responsabilidade final e desmesurada com que lidamos pela primeira e talvez última vez, se não agirmos agora e bem.

Mas que ninguém diga que não sabia!

A Greenpeace é uma ONG (organização não-governamental), maldita em todos os quadrantes políticos, da extrema-direita à extrema-esquerda, que não lhe perdoam a não sujeição a ideologias e programas e os métodos interventivos e espectaculares.
Em Portugal, a Greenpeace tem desenvolvido uma tentativa de sensibilização junto da grande distribuição estabelecida em Portugal no sentido da identificação de espécies à venda e sua sustentabilidade.

As espécies mais ameaçadas, as que necessitam da nossa intervenção urgente, são também as que mais arreigadas estão nos nossos hábitos alimentares.

Iremos ver em futuros posts, detalhadamente o que se passa com cada uma. Por agora, a "temível" lista Vermelha:

Alabote
Atum
Bacalhau
Camarões
Espadarte
Linguado
Peixe-Espada Branco
Redfish
Pescada
Raia
Salmão
Solha
Tamboril
Tubarões

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cozer Massa ou "barretes de chef"

Contagiadas pelos delírios organizativos e empresariais norte-americanos, a partir de meados de 80 e com toda a força nos 90, as empresas portuguesas aspirantes a modernaças, passaram a ser "exércitos" sui generis de coronéis e generais: toda a minha gente era chefe de qualquer coisa...

Por essa altura surgiram, à luz da ribalta mediática, os chefs!

Primeiro timidamente, depois como cogumelos, acompanharam, pela viragem do milénio, a passagem da cozinha como arte e saber para a cozinha espectáculo em que o que contava, claro, muito mais que saber cozinhar era saber comunicar e divertir.
Foi a altura em que qualquer apresentador medíocre de televisão, ou humorista, ou dono de restaurante da Caparica passou a “especialista” em doces, receitas, programas de culinária, o livrinho certo nos escaparates… depois surgiram também os chefs “estrela-sexy”: jovens, lindos, louros, exóticos, de turbante, a fazer arregalar o olho do mulherio farto de chefes "Silva", feios, gordos e velhos.
A coisa foi tão vivida e excitante que ninguém se lembrou de perguntar: mas “chefe” de quê ou de quem? Inventou o quê? Criou que prato? Cozinhou onde? Será que sabe salvar mesmo uma mayonnaise talhada? Ou usa Hellman’s?!
E como o showbizz é impiedoso e sôfrego de constante novidade, quanto mais espaventosa melhor, lá foram “criando” as maiores aberrações que a maltinha ignara papava como bíblicos mandamentos, que isto na televisão não dá para ouvir se alguém diz “o rei vai nú”, ainda bem…

Aqui cabe uma pausa para que fique registado que eu acho que não são todos assim: Há magníficas excepções, gente nova a cozinhar e inovar divinamente, gente que está realmente na cozinha a fazer mais que cortar salsa a ritmo AK47*, para papalvo extasiar, ou a "empratar" com muitos riscos e gotinhas pelo prato fora.

Quem não experimenta, quem não questiona a tradição, também não avança.
Os nossos chefes andavam ocupados demais a descobrir umas ervas daninhas para nos impingir como salada “selvática” para perderem tempo a verificar as “regras” da cozedura das massas. Aquilo que era irrisório e que, para mais, toda a gente dizia, estava certo de certeza, não era? A massa coze-se em muita água a ferver em cachão, panela destapada, na razão de um litro para cada 100 gramas! Dizia a mamma, dizia o livro, dizia o chef!
Vitória da democracia: A Verdade é o que a maioria diz que é verdade.

Se a cada semana, um milhão de famílias portuguesas cozinhar 500g de massa desta maneira, gastará no processo 5 milhões de litros de água, mais do que a água de 3 piscinas olímpicas**. Por semana!

No mundo a morrer à sede de água potável, que desperdício de água e de energia! Que inutilidade!

A massa não tem de cozer em muita água!
A massa não tem de cozer a ferver em cachão!
A massa não tem de cozer em panela destapada!


Um litro e meio de água chega e sobeja para cozer 500g de massa, em panela tapada e lume no mínimo.
Depois é tudo igual, a massa não pegou nem colou, cozeu na perfeição e poupou ….. duas grandes piscinas olímpicas.

Nota:
*AK47 lendária espingarda-metralhadora russa, a Kalashnikov, famosa pela sua rápida cadência de tiro, muito igual ao ritmo matraqueante de corta-legumes de alguns dos nossos chefs mais circenses, ou talvez em despique com a Bimby?!
** Piscina Olímpica: 50x22m – 1650m3

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tiramisu (sustentável)

O prometido é devido!
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Para dar ao meu mascarpone o destino mais comum que este queijo costuma ter entre nós, abalancei-me neste fim de semana ao meu primeiro Tiramisu (e último, que eu odeio café doce!!!).
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Tal como vos disse no post anterior, o mundo está literalmente atravancado de receitas deste doce lendário, estou certo que todos os que me lêem o sabem fazer (e se não sabem, escrevem tiramisu no browser...) e portanto, não vou alongar-me em mais uma fastidiosa cópia (neste caso daqui), que, naturalmente adaptei, fundi e simplifiquei.
Há, no entanto, um aspecto que gostava de realçar e que é o da utilização do pão-de-ló em vez dos agora habituais palitos Champagne industriais. Fi-lo como habitualmente com 4 ovos e 125g de açúcar e outro tanto de farinha com fermento e ficou assim:
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Usei café 100% arábica, Colombiano, e licor de coentro, caseiro, para embeber o bolo e polvihei com cacau puro e raspas do novo Lindt 99% de cacau, um "espanto" só acessível aos incondicionais do tom amargo.
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Nota:
O "mascarpone" portou-se como se esperava, ou seja, pelo menos tão bem como o irmão viajado que parla em vez de falar. Quem conhece tiramisu não regateou elogios e o ambiente, claro, discretamente, agradeceu!

domingo, 21 de junho de 2009

Jaquinzinhos Fritos e Ambiente

Quando eu era miúdo a Verdade era composta por conceitos ditos indiscutíveis, o Império pluricontinental, a bondade salazarenta, Deus, Pátria, Autoridade…
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Depois tudo mudou e a Verdade também: agora já tudo se podia discutir desde que não se discutisse a nova verdade chamada democracia representativa, substituta da antiga trindade e tão indiscutível como ela.

Ora, tudo o que não se discute, apodrece ou já está podre e esta conversa fiada vem toda a propósito de Jaquinzinhos fritos!
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O legislador democrático tem, além da sagrada tarefa de legislar, fazer as leis que regulam a vida de quem o elegeu, outros variados misteres menos relacionados com a legislação e mais com a perpetuação do seu tacho, perdão, queria dizer cargo!
É por isso que, quase todos já notámos quão tardiamente e a ferros se faz o parto de cada lei.

O Regulamento (CE) 850/98 é a lei que há 11 anos manda, por considerar o carapau como espécie ameaçada por pesca não sustentável, que seja ilegal qualquer captura de indivíduos com menos de 15cm.
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Que importa que, entretanto, o planeta se tenha posto a aquecer?
Que importa que haja cada vez mais carapau?
Que importa que a comunidade científica seja unânime em considerar que o carapau é uma das poucas espécies que vai beneficiar, e muito, com esse aquecimento?
O nosso legislador tem mais que fazer que importar-se com essas ninharias e assim é apenas devido ao discernimento de quem está no terreno que podemos ter acesso, na prática livre, a esse delicioso petisco que é o trachurus trachurus juvenil ou infantil: o Jaquinzinho!
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Ingredientes:
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Jaquinzinhos
Sal
Farinha
Óleo
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Preparação:
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Amanhe os carapaus. Quanto mais pequenos, melhores mas, claro, o trabalho aumenta em razão inversamente proporcional ao tamanho dos bichos. No meu caso, arranjei o melhor de dois mundos: 700g a serem 148 jaquinzinhos e já arranjados porque há umas santas peixeiras no Mercado da Boa-Hora que se vão entretendo a arranjá-los durante a manhã. Precioso!
Disponha os peixes e salpique com sal fino, pouco pois é fácil ficar salgado.
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Deixe salgar por cerca de meia-hora, passe-os por farinha numa tigela em que possa pôr, de uma vez, uma grande mão-cheia, sacuda-os bem da farinha excedente (eu uso uma peneira de malha larga) e frite-os em lume quente em frigideira funda e óleo abundante para que não seja necessária qualquer viragem durante a fritura. Escorra e sirva assim muito quentes.
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Acompanhei com um arroz carolino de tomate e coentro , meio malandro mas sem excessos "risóticos".
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Nota: Quem me conhece e segue mesmo que ocasionalmente este blog, sabe as preocupações ambientais que o movem, nomeadamente no que respeita ao consumo não sustentável de espécies selvagens como é o caso, infelizmente, da maioria dos peixes da nossa dieta. Mas a cada coisa a sua razão: não é o caso dos pequenos jaquinzinhos do nosso deleite.