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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Bola de Alice

................. As bolas, ou folares, são antepassados remotos das hoje universais sanduíches.
Começaram por ser uma maneira expedita de utilizar as carnes conservadas do porco, quando elas começavam a amarelar e a ganhar um toque do primeiro ranço, em tempo em que a comida era algo de escasso e sagrado.
Além dos famosos folares de carnes de Valpaços, Lamego, Chaves, etc., toda a região Norte é pródiga nas suas apresentações de bolas tradicionais e depois imitadas por uma infinidade de variantes modernas, bolas rápidas feitas como um bolo, bolas que mais parecem empanadas espanholas ou que acabam por ser um pãozito com chouriço e aparas de fiambre.
Hoje perdeu-se a noção da bola como refeição de aproveitamento e que, se no Norte era feita com as carnes fumadas e por vezes com ovos, era porque eram esses os recheios disponíveis.
Esta bola que aqui criei foi feita com "restos" (se bem que propositados) de um cozido à portuguesa. O resultado, perdoem-me a imodéstia, é uma verdadeira masterpiece de sabor, um "snack" de Cozido!
Chamei-lhe Bola de Alice, que é o nome da minha mãe, que me ensinou a fazer o meu cozido à portuguesa.
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Ingredientes:
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Sobras de um cozido, excepto batatas e arroz
Caldo de cozido
Farinha de trigo
Fermento de padeiro
Ovo para pincelar
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Preparação:
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Como não trabalhei com sobras reais, utilizei pojadouro de porco, entremeada, toucinho salgado, chouriço alentejano, farinheira da Beira-Baixa, chouriço de sangue fresco, sal, cenouras e algumas folhas verdes de couve, neste caso folhas que vêm com os bróculos.
Coza na panela de pressão, com pouco líquido e por 40m as carnes, chouriço de carne e cenoura.
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Abra e agora sem pressão coza também ali a farinheira e o chouriço de sangue fresco, previamente picados com um palito para facilitar a saída das suas gorduras e as folhas de couve. Reserve o caldo e os sólidos, separados.
Dissolva o fermento numa quantidade adequada de caldo (com a olha gorda) e amasse nele farinha de trigo até obter uma massa firme. Amassei na máquina de pão, prog.8. Retire da máquina, polvilhe de farinha e deixe sobre a pedra enfarinhada, coberta, até ter duplicado o volume.
Divida a massa no número de porções (+1) necessários às camadas de recheios que for fazer; eu dividi em 5 partes iguais para fazer 4 camadas.
Estenda cada porção com o rolo, de forma adequada à forma que usar (eu usei uma forma de bolo inglês e outra de aro pois fiz tudo demais), disponha no fundo da forma e sobre ela comece a dispor o recheio.
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Neste caso comecei pela cenoura e chouriço de sangue, depois nova massa sobre a qual ficou a carne desfiada e a couve,
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depois o chouriço e por último o toucinho e farinheira.
Coberto com a última massa e bem calcado para retirar o ar aprisionado entre as camadas,
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foi levedar de novo até quase duplicar o volume.
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Cozeu em forno quente (220ºC), pincelado com ovo, por 10minutos e depois a 160º até estar cozido, o que levou mais 25m.
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O resultado é espantoso. Faça esta Bola de Alice com os ingredientes que são próprios do seu cozido, não do meu.
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Eu não incluí carnes moles de porco (chispes, orelha, etc.) porque não gosto e também não as incluo no cozido normal, também não usei morcelas ou frango por idêntica razão.
O que é mesmo notável é estarmos a sentir os sabores do nosso cozido naquela fatia de pão.
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NOTA: Além deste, o cozido à portuguesa é um prato que se presta a inúmeros outros aproveitamentos. Um outro que resulta fabuloso como snack, e que um dia aqui trarei em pormenor quando se tratar de empadas, são as Empadinhas de Cozido, feitas em forminhas forradas por uma massa tenra amassada com gordura e caldo, recheadas com um picado grosso, à faca, de todos os ingredientes do cozido (aqui incluindo a batata e o arroz de sustância, que não uso na bola).

terça-feira, 7 de abril de 2009

Folar de Páscoa






São os únicos bolos que me saem sempre bem!
A razão é bem simples: é que em bolos tradicionais eu não invento nem experimento. É uma espécie de respeito ou coisa que o valha, que faz com que eu tenha um prazer quase atávico em fazer "bem" receitas de filhoses, broas, arroz-doce, bolo-rei, rabanadas, ovos moles e, claro, o Folar da Páscoa!
Faço todos os anos um folar, de modo a poder ser comido ainda morno ao pequeno-almoço de Domingo de Páscoa.
Este ano, porque prometi há dias à Anna que ia aqui mostrar o meu folar, vou fazer dois, este excedentário feito para Domingo de Ramos, de modo a poder posar para a foto antes do seu dia.
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Ingredientes (folar grande, 4-6 ovos):
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850g de Farinha de Trigo (usei a 65, mas a 55 também dá)
250g de Açúcar
125g de manteiga
1 - 1,5dl de leite
20g de Fermento de Padeiro
4-5 ovos, conforme o tamanho
1 colher de chá bem cheia de Canela
1 colher de chá bem cheia de Erva Doce em pó (usei em grão, moída no almofariz)
1 colher de café de sal
Ovos cozidos (esta quantidade de massa aguenta 4 a 8 ovos)
Gema de Ovo para pincelar.
Geleia de Marmelo
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Preparação:
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Desfaça o fermento em leite morno até estar bem dissolvido. Derreta a manteiga e misture então todos os ingredientes excepto a gema de ovo e a geleia. Amasse bem, (eu usei a máquina do pão no programa 8, por duas vezes). A idéia é fazer uma massa bem dura e firme e, para o conseguir, deve ajustar as quantidades de farinha-leite. É mais importante que a massa fique realmente firme, para não "baixar" durante o tempo em que vai levedar.
Separe um pouco de massa para fazer as tiras com que irá "prender" os ovos, molde a restante em bola, enfarinhe, ponha logo no tabuleiro em que irá ao forno e deixe em repouso em local ameno mas não aquecido até que tenha duplicado o seu volume inicial, o que deve levar 5-7 horas se tudo esteve bem no que respeita a quantidade de fermento e calor ambiente.
Quando estiver lêveda, introduza os ovos cozidos até metade e cubra-os com tiras de massa, pinceladas com água fria do lado em que vai estar em contacto com a restante massa e os ovos, para colar.
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Pincele com gema de ovo e leve a forno quente durante cerca de 20 minutos, tapando com folha de alumínio se vir que começa a escurecer demais antes de estar cozido.
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Ao sair do forno, ainda muito quente, pincele a superfície com um pouco de geleia de marmelo diluída para ficar brilhante.
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Nota: A capacidade de absorção das farinhas varia imenso e é incontrolável, às vezes dentro da mesma marca existem diferenças. Com o real tamanho dos ovos passa-se o mesmo.
Aconselho a misturar primeiro os sólidos e a manteiga e ir juntando aos poucos os elementos líquidos para ter a certeza que a massa não vai ficar mole. Nos folares caseiros, o defeito mais comum é o efeito "chapata" em que o bolo alastra e fica como uma enorme panqueca ao levedar, por ter demasiados elementos líquidos. Não hesite em cortar no leite ou nos ovos, se tal for necessário. A lentidão com que um folar cresce é essencial para que, no fim, a bolo não fique seco e com bolhas grandes por dentro, outro dos defeitos comuns aos caseiros e geral nos industriais, que carregam no fermento e na estufa para despachar serviço.