Quando há já quase cinco
anos aqui falei do Arroz de Favas que fez o deleite de Jacinto e José
Fernandes na atribulada chegada a Tormes, claro que não fazia a mais pequena
ideia do prato que Eça de Queirós teria em mente ou na memória quando escreveu
o texto. Essa é a questão que sempre se levanta quando os autores não entram em
pormenores culinários e preferem explorar o campo mais grato dos sabores e
sensações que as suas criações provocam.
Este arroz de favas de A Cidade e
as Serras é um desses pratos que me ficaram sempre em dúvida e, na
impossibilidade manifesta de poder saber pelo autor a sua intenção, decidi-me
pela reinterpretação das queirosianas expressões " Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se
regala '' e '' Óptimo!... Ah, destas
favas, sim! Ó que fava! Que delícia!''', arriscando desta vez a aventura
plausível de dar a este novo arroz a rescendência de umas favas à portuguesa,
na untuosidade de um arroz carolino bem cremoso.
Ingredientes:
Cebola
Alhos
Louro
Azeite
Favas frescas
Chouriço de carne
Chouriço de sangue (ou morcela “de
favas”)
Coentros espigados
Polpa de tomate
Sal e pimenta
Arroz carolino
Preparação:
Se as favas forem muito novas e
tenras, pode usá-las com a película; caso contrário, que é o mais normal,
retire-a e deixe apenas o interior.
Refogue num pouco de azeite a
cebola, os alhos e o louro, com pimenta preta e um pouco de calda de tomate,
pouco. Junte então as favas, os chouriços às rodelas, os coentros e o arroz
e
envolva até o arroz estar translúcido, altura em que junta água suficiente para
cozer o arroz.
Vá mexendo de modo a formar um molho cremoso e sirva bem húmido.


