segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Polvo à Ria




Retemperado e regressado das férias na queridíssima Galiza, Vila de Muros (tinha razão o Cupido, é logo abaixo de Fisterra), reinicia-se hoje a minha presença junto de todos os amigos e amigas que me honram com as suas visitas. Esta presença, que será talvez um pouco menos assídua, devido a mudanças profundas na minha vida pessoal e profissional que, entre outras coisas, se transfere para a cidade de Lisboa, de onde, aliás, sou natural e onde vivi as primeiras quatro décadas de vida, começará com uma revista do que culinária e gastronomicamente se passou nestas últimas semanas galegas.


Para honrar esse compromisso não há mesmo melhor do que esse prato simplicíssimo que, aproveitando o sabor único dos polvos pescados nas rias galegas, se atreve a apresentar-se cozido em água e ainda assim desafiar e ganhar aos mais elaborados processos com que também se pode cozinhar o simpático e tentacular Octopus.

Ingredientes:

1 polvo com cerca de 1,5 kg
1 cebola
Sal grosso
Pimentão doce em pó
Pimentão picante em pó
Azeite Virgem extra
Preparação:

Limpe o polvo de todas as vísceras, do dente e dos olhos.
Se dispuser de tempo, congele o polvo durante 24 horas, descongele, e volte a congelar mais 24 Horas. Se não dispõe desse tempo, terá então que sovar o polvo com um pau, cuidadosamente, percorrendo cada uma das oito patas e batendo, centímetro a centímetro, realmente com força. Se pensar que o polvo se está a desfazer com tanta brutalidade, não se preocupe: ele tem uma inacreditável capacidade para se regenerar das feridas sofridas durante a tareia.
Após a sova (ou o descongelar), ponha uma panela com água ao lume, com uma cebola partida ao meio, e quando estiver a ferver, pegue o polvo pela cabeça, enfiando no saco o polegar, e mergulhe por 3-4 segundo o polvo nesta agua. Retire e quando ferver de novo a agua, repita o mergulho. Faça ainda um terceiro mergulho em água a ferver após o que o polvo deve cozer em panela tapada (não de pressão) durante exactamente 45 minutos, independentemente do seu tamanho. Tirado antes de tempo ou deixado para além deste número de ouro, fica inevitavelmente rijo.
Retire o polvo da água, deixe amornar, corte em pedaços para uma travessa (lá usa-se uma tábua redonda), polvilhe com sal grosso e uma mistura a meio por meio de pimentão doce e pimentão picante (que não é o mesmo que piri-piri) e regue com azeite.
Coma com pão de centeio molhado no azeite e acompanhado pelo belo vinho Albariño ou das Rias Bajas, ou se preferir, pela inimitável cerveja Estrella Galícia.

4 comentários:

cupido disse...

Esse polvo é uma maravilha, e efectivamente, com um albariño a acompanhar (um fillaboa é sempre uma aposta segura) faz as delícias de qualquer pessoa.

janeca disse...

Mas esse prato está mesmo a chamar-me...Adoro polvo esse deixou-me com água na boca.

bjinho

Suzana disse...

A cerveja dispenso, mas o pãozinho de centeio molhado pode vir! O seu polvo tem um aspecto fantástico. :)

anna disse...

Pois é, pois é... como é que o meu polvi há-de sair tenro?
Na pena do Luís (quer dizer, no teclado) a saga do polvo quase vira novela...
Tenho de experimentar esses mergulhos e os 45 minutos na panela.
Tareia no bicho não, prefiro congelar...