quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Tagine de frango, cebola e mais

              
                 Tinha estado a moer um novo frasco de Ras-el-Hanout, sem outra intenção que não fosse ter à mão essa preciosidade magrebina mas o aroma que então ficou na cozinha despertou em mim essa saudade dos sabores de Marrocos, que só passa quando o palato fica satisfeito. Tempo para desarrumar a minha velha tagine*,
vinda lá bem do sul de Marrocos já Sahara adentro, depois ainda de Ouarzazate.
Com o que havia em casa e o precioso Ras-el-Hanout acabado de moer, fez-se este prato a evocar as lonjuras e os incríveis sabores destes nossos vizinhos do Sul e a pôr em mim o “bichinho” de começar a pensar em voltar mais uma vez.

Ingredientes:

Azeite
Cebolas pequenas
Ras-el-Hanout
Alhos
Frango cru desossado
Cenouras
Nabos
Abóbora
Chuchu verde
Pimento vermelho
Tomate fresco
Batata doce
Azeitonas
Casca de limão de conserva**
Tâmaras***
Sal e pimenta

Preparação:

Verta uma quantidade generosa de azeite de modo a cobrir o fundo da tagine* e forre-o completamente com metades de cebolas pequenas e alguns dentes de alho. Polovilhe com Ras-el-Hanout.
Disponha por cima o frango desossado, em pedaços grandes e polvilhe de novo.
Vá depois dispondo em camadas os diversos legumes, sempre juntando mais Ras-el-Hanout, começando pelos que têm cozedura mais prolongada,Ras-el-Hanout e abundantes azeitonas.
as cenouras e nabo e terminando pelos de cozedura mais rápida, como a abóbora ou as rodelas de batata doce.
Termine enfeitando com algumas tâmaras*** descaroçadas, azeitonas e tiras de casca de limão de conserva.

Tape a tagine* e leve ao lume, sempre tapada, por cerca de uma hora, mantendo o calor no mínimo após começar a fervura. Não destape.
Pode também fazer a Tagine* no forno, a cerca de 160ºC, sendo que neste caso deve contar com o mínimo de duas horas e meia.


Notas: * Tagine é a transcrição para português da palavra árabe الطاجين que, sendo uma língua essencialmente fonética, pode ser transcrita de variadas maneiras. Eu uso a maneira mais usual em português, “tagine”, mas também pode escrever “tajine”, como transcrevem os espanhóis ou até “ dha-tagina” que é a maneira como eles dizem (ou como eu ouço!). Como “tagine” (à semelhança da nossa algarvia cataplana), tanto designa os pratos como o recipiente cónico em que tradicionalmente são confeccionados, optei por escrever com maiúscula quando estou a designar a comida e com minúscula para referir a caçarola.
** O limão de conserva em salmoura é muito importante em toda a cozinha marroquina. A sua preparação é fácil mas morosa e sendo impossível de encontrar por cá, pelo que, se não tiver limões em salmoura disponíveis, não hesite em usar umas tirinhas de casca de limão fresco. Não é a mesma coisa mas muito melhor que nada.

*** Naturalmente que se podem usar nas Tagines qualquer espécie de tâmara, mas se dispuser das magníficas tâmaras Medjool, uma tâmara grande e carnuda, mas mais curta que as tâmaras vulgares e que não tem qualquer açúcar ou melaço adicionado, não hesite. A diferença sente-se depois!

3 comentários:

castrantonio disse...

Caro Luis Pontes
Adoro as Tagine, sejam elas de frango ou de carneiro.
Já experimentei todas que aparecem aqui no "Outras Comidas" e esta vou fazer também claro.
Tenho utilizado a sua receita de "Ras-el-Hanout", mas gostaria de lhe perguntar se conhece alguma loja em Lx onde possamos comprar já preparado.
Bom feriado.
Bem haja
antónio

Luís Pontes disse...

Caro António,
Infelizmente, que eu conheça não existem produtos para a cozinha magrebina em geral e marroquina em particular, disponíveis em Lisboa.
Felizmente conseguem-se fazer quase todos os ingredientes com o que por cá temos.
As semolinas de trigo duro que eles usam tanto e que por cá não há, encontram-se nas lojas de produtos chineses.
Abraço
Luís

Maria Gloria D'Amico disse...

Fiquei salivando aqui, do outro lado. Imagino a delícia.