quarta-feira, 7 de abril de 2010

Açorda de Polvo em Milho

................................... Para dizer a verdade, se esta parte da blogosfera cheia de sabores e apetites em que me movo fosse apenas um local virtual onde se repetissem ad nauseum as receitas uns dos outros e de livros, revistas, chefs, etc., este seria um espaço bem desinteressante e inútil.
Felizmente, em muitos dos blogs que por aqui aparecem, figuram nas receitas as palavras mágicas: "mas eu fiz assim...", "mas eu resolvi...", "mas eu experimentei...", as expressões da criatividade, da inventiva e da ousadia que levam em frente. Quando isto não acontece é certo que temos pela frente mais uma dose sensaborona de corta e cola ou transcrição de querida revistinha estrangeira do nosso orgulho pacóvio!
.
A açorda que hoje vos trago é uma criação que nasceu do meu gosto antigo por açordas de broa de milho e por uma receita de açorda de polvo criada pelo Cupido no seu Garficopo, um blog em que, sabendo procurar por entre a componente "copo", dominante, se encontra uma parte "garfo" preciosa e certamente responsável por muitas das mais felizes realizações da minha própria cozinha.
.
Ingredientes:
.
1/2 Polvo grande
1 Broa de milho amarelo (500g)
1 cabeça de Alhos
Azeite
Sal, pimenta preta, uma pitada de pimentão em pó.
Salsa
.
Preparação:
.
Coza o polvo pelo método galego (3 mergulhos em água fervente e 40m exactos de fervura, com sal). Um polvo grande (2,5-3kg) dá para 5 a 6 pessoas, a dose indicada é para 2 ou 3. Reserve a água de cozedura.
Segundo queira uma açorda mais ou menos estruturada em termos de textura, corte a broa em fatias finas, deixando a côdea ou tirando-a com uma faca afiada.
.
Demolhe-a na água de cozer o polvo, enquanto descasca os alhos e corta o polvo em fatias finas e o tempera com uns salpicos de pimentão, pimenta preta e salsa picada.
.
Neste caso usei uma mistura ãã de pimentão doce e pimentão picante, para dar uma nota do sabor galego de pulpo a ria.
.
Leve os alhos ao lume mínimo em azeite e,
.
quando começarem a estalar, junte o polvo e temperos. Deixe frigir bem, o que se sabe quando a pele viscosa do polvo se torna fina e perde a componente gelatinosa.
.
Junte então o pão demolhado e água do polvo
.
e deixe cozer a açorda por, pelo menos, meia hora ou até ela ganhar o tom translúcido que caracteriza uma açorda bem cozida. Apague o lume, deixe em repouso por cinco minutos e sirva então.
Por favor, esta açorda não leva com o (tradicional??!) ovinho final.
.
Acompanhei com um vinho galego, o Rias Bajas Flavium Mencia Reserva de 2003, um tinto que não se encontra em Portugal, mas penso que um vinho de Douro ou Dão iriam muito bem com esta açorda que apetece degustar e demorar...
.

7 comentários:

anna disse...

O Luís e o Amândio são dois mestres na arte de transportar para os dias de hoje aquilo que vive na nossa memória, despertando um mundo de estimulação de sentidos sem artifícios nem fingimentos desnecessários...
Bem hajam pela generosidade da vossa partilha!
Beijinhos para os 2.

Ricardo disse...

Olá Luis, em primeiro lugar muito parabéns pelo seu blog, a sua comida parece (porque ainda não a experimentei, para a semana talvez) realmente fantástica, a sua prosa igualmente e as dicas são 5 estrelas. Estive ontem toda a tarde a ler o seu blog, do princípio ao fim, e a retirar algumas receitas para experimentar. Neste momento estou a tentar os croquetes, vamos ver o que sai. Uma pergunta: quantas vezes passa a carne na máquina? pergunto isto porque, para já, a massa não me parece estar com a textura desejada.

Antecipadamente grato,
Ricardo Duarte

LPontes disse...

Ricardo Duarte:

Muito obrigado pela sua visita e palavras encorajantes.
Passe a carne uma só vez, depois de cozida. A ideia é deixar alguma fibra na massa final, que permita sentir a carne, não em grânulos como acontece fazendo com carne picada em cru, nem desfeita em pó, como acontece com as máquinas de lâminas rotativas.
Se não utilizar restos de outra refeição, coza "mal" as carnes, deixando-as algo para o duro.
De qualquer modo o ajuste final da textura é feito pelo pão ralado.
Bons croquetes.

Ricardo disse...

Já percebi tudo Luis! estão prontos e ficaram exactamente com a textura que eu gosto! estou a lanchar (vergonhosamente) ,meia dúzia deles! excelentes!

muito obrigado!!
ps: fiz só metade da massa, e não os enrolei muito grandes, mas ainda assim deu-me 40 croquetes!!

moranguita disse...

bem que açorda tao boa.
esta uma delicia.
nunca me lembraria de açorda de polvo
vou guardar
beijinhos

ESpeCiaLmente disse...

Adoro polvo, acho que vou experimentar :)

s. otero disse...

Parabéns pelo seu blog!

Até ao próximo post.


Abraço