quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Broas de Espécie

................. Coube ao Outras Comidas o privilégio de indicar o tema da 8ª Quarta-Feira Trilógica e última da primeira década deste século. Como gosto de temas só vagamente indicativos a deixar liberdades e licenças aí à solta, propus à Ana e ao Cupido, compagnons de route desta aventura o tema "Broa". Cada um que se desamanhe...
Antigamente, quando o agora todo-poderoso bolo-rei não tinha ainda açambarcado direitos de primazia na mesa de rèveillon, eram as broas, de milho, castelares ou de espécie, conforme a bolsa do festejante, que faziam companhia, com as passas e um ou outro petit-four ou biscoitinho de azeite à bebida com que se brindava às nossas desejadas prosperidades no ano que começava, aí também e pela mesma ordem de posses, um Porto ou jeropiga baratos, um espumante ou um Champagne.

Hoje, toda gente é "muito rica" e, nem que seja com a ajuda de alguma cofidis (ou do velho "invejoso" que hoje se transformou em comprador de ouro desse que as pessoas têm de sobra lá por casa e já não faz falta), muitas mesas de passagem de ano são tristes e enfadonhos escaparates de exibição da única coisa mais triste que o novo-riquismo suburbano, a versão falsa do dito: camarões de meio quilo, lagosta de quilo e algum pata negra cheio de "jotas" preso na tábua de oferta que o acompanhava e que custou dois ou três ordenados mínimos, é insosso de arrepiar, ao gosto espanhol, mas que toda a gente engole e diz que assim é que é, que maravilha para que não caiam na fraqueza os flutes de Moët et Chandon... que diabo, uma noite não são noites e (se Deus quiser) temos ainda 364 para viver na barraca, se o ano não for um maldito bissexto!
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Estive hoje a fazer as minhas broas para a passagem de ano; fiz das mais ricas pois claro, que irão acompanhar o vinho Al-Xam, um espumante alentejano feito com uvas Esgana Cão, Sercial e Antão Vaz, de vinhas que eu conheço bem, por Jorge Bohm, em Montemor-o-Novo. É um belo vinho para entrar 2011, a merecer as mais ricas das broas: As broas de espécie.


Ingredientes:
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700g de batata doce amarela, cozida
500g de açúcar
100g de coco ralado fino
125g de amêndoa ralada
Vidrado de 2 tangerinas
6+3 gemas de ovo
Granjeia colorida
Margarina e farinha de trigo
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Preparação:
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Descasque as batatas doces, parta-as em cubos
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e coza-os em vapor ou, mais simples, no micro ondas (cerca de 12m)..

Se quiser coza-as em água mas neste caso inteiras. Passe a batata pela máquina, ainda bem quente.
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Misture o açúcar na batata esmagada quente e mexa, o que fará a massa ficar bastante líquida.
Triture o vidrado de tangerina com o coco e adicione, bem como a amêndoa, que deve ser ralada fina mas não farinada e 6 gemas de ovo. Amasse bem e leve ao lume, mexendo sempre para cozer as gemas. Deixe de um dia para o outro no frigorífico, depois forme as broas sobre uma tábua enfarinhada ou pedra oleada e disponha-as num tabuleiro previamente untado e enfarinhado.
Pincele generosamente com gema de ovo e salpique com granjeia.
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Coze em forno muito quente até ficarem louras a gosto. .


Está agora na hora de ir espreitar por que broas andaram a Ana e o Cupido, meus companheiros de trilogia.

Este blog volta para Janeiro, ao primeiro minuto da nova década (que se afigura tão pouco faustosa) e logo no dia 5 terá a nona trilogia, da responsabilidade do Cupido.

Boas entradas em 2011 a todos os que por aqui passam.

8 comentários:

Nelinha disse...

Como me revi neste seu comentário. Ainda há pouco vi na televisão um programa de passagem de ano que sem se esticar muito ia p'rái aos 400,00€ por casal e já estava esgotado. Tá mesmo tudo louco!!!!

As suas broas deixaram-me com tanta água na boca. Como dizia a minha avó tb alentejana: Estão bonitas e boas!!!

Silvy disse...

Muito intereessante

Achei fantástico também o frango recheado

Beijinhos

cozinhadasilvy.blogspot.com

cupido disse...

Confesso que a tua abordagem não me surpreendeu... Mais do que outra bela participação nestas trilogias, fica esta receita que, confesso, não conhecia. Estou cada vez a gostar mais destas abordagens quase solitárias que se transformam em belas partilhas às quartas. Vamos a ver o que a proxima semana nos reserva...


p.s. - com umas batatas doces gigantes que andam cá por casa, não digo que não experimentarei as broas :)

xunandinha disse...

As suas broas são de chorar por mais e não provei nenhuma, mas o aspecto diz tudo. Pois amigo eu na passagem de ano não conto sequer festejar,pois acho um desperdiço numa noite que afinal é igual gastarmos o que temos e o que alguns não têm, para mostrar um luxo que não existe, não é preciso vir o Natal para eu ser amiga das pessoas, assim como não é preciso vir o final do ano para cmer um marisco, ou beber um vinho melhor, um grande abraço e faço votos que 2011 seja um Ano muito bom para si e todos os que o rodeiam

anna disse...

Ena ena... saiu doce, saiu recheio e saiu acompanhamento.
A minha mãe iria adorar que eu fizesse estas broas...
Que será que o Cupido nos vai propor?
Tudo de bom em 2011, para t e para os teus.
Beijinhos.

Joana disse...

Luís
Sou fã e visita habitual do seu blog!
Por não ter tido tempo antes, só hoje venho expor duas dúvidas quanto às Broas de Espécie que já tenho feito com uma receita não muito diferente, embora as sua me pareça mais apetecível por não ter açúcar em ponto que consta da minha receita o que torna as broas mais doces!
Mas vamos às dúvidas:
1-É necessário triturar o côco que já está ralado?
2- Para onde foi a "espécie"? Será pela dificuldade em encontrar este elemento, que foi eliminado? Antigamente encontrava-se nas farmácias, porém há tempos procurando eu folha de obrea numa farmácia, perguntaram-me se se tratava de algum chá para diarreia o que mostra que não constava das existências!
Bom Ano com bons petiscos!
Joana

moranguita disse...

luis um bom ano. as suas broinhas ficaram bem bonitas
nunca fiz mas gosto muito.
beijinhos

Bizlep disse...

Perdoe a ignorância...mas o que é um'vidrado de tangerina'?-Uma geleia?Uma calda ou doce com casca?? - estou tentado a usar cascas de laranja cristalizadas cortadas em pedacinhos!