sexta-feira, 29 de abril de 2011

"Wine Pairing" (disclaimer)

                                                                               Foto retirada de Foodwinechef.net     
Quando qualquer um ganha nem que seja um tudo-nadinha de notoriedade, é certo como se de Lei física se tratasse que logo surgem do meio do nada uns invejosos profissionais que, ao verem que não chegarão nunca ao estatuto de "caravana" contentam-se com o de "cão que ladra à caravana que passa".
É a chamada dor de cotovelo, a que o povo, sempre mais assertivo, chama de corno e bem!
Vem isto a propósito de eu andar na berlinda virtual da maledicência do cinzentismo triste de quem se consome ao ver que, apesar de aqui se  usarem fotografias nas receitas e eu não perceber nada da ciência enológica, os meus queridos leitores teimam em seguir este trabalho que faço, sem pretensões a tratado de gastronomia ou sequer aula de cozinha, já que não sou nem professor nem sequer profissional e me limito a partilhar com sinceridade as comidas que vou fazendo, umas copiadas, outras criadas por inspiração noutras ou por pura invençao lúdica, umas bem conseguidas, outras nem por isso, como acontece nas cozinhas do dia a dia, de todos nós.
Mas numa coisa tem alguma razão o meu detrator de estimação: é bem verdade que não sou grande conselheiro de vinhos. Claro que, por isso mesmo, não dou conselhos a ninguém, digo apenas o que senti com a escolha (às vezes desastrada) que fiz para aquele prato.
Eu gosto muito de vinho mas passam-se vários dias em que não lhe toco sequer; muitas das minhas refeições são acompanhadas por água e isso leva-nos diretamente ao título deste post, o wine pairing que em português não tem realmente tradução para além desse neologismo "mariadagem" que tenta explicar esse conceito de adaptação dos vinhos às refeições que acompanham.
Apesar de sempre se ter escolhido o vinho que vai acompanhar o prato, este wine pairing, hoje encarado como uma quase-ciência é um fenómeno recente, nascido do puritanismo americano da época Reagan, sempre renitente em encarar o vinho por si mesmo, procurando amarrá-lo às comidas como complemento destas, desculpabilizando-o daquilo que ele é: vinho!
 Por mim, que acho que o melhor acompanhamento para uma garrafa de vinho é mesmo uma boa conversa e fico interdito quando percebo que afinal até no wine pairing as regras variam afinal com o gosto do aconselhante, sendo que uns acham que o vinho deve ser complementar, outros que deve ser constrastante, que uns defendem tintos fortes para a maioria dos queijos, outros (e eu também) preferem os brancos ou verdes; como os gostos variam, os conselhos também, é natural.
Mas eu gosto mesmo é de vinho sem companhia e quando experimento um vinho faço-o a solo, sem comidas à mistura. Depois digo-vos sem complexos o que achei do vinho, é uma impressão sem qualquer valor científico, gastronómico ou enológico, ditada pela maneira como o senti no palato, mais não sei dizer.
Quando aposto que um vinho irá acompanhar bem determinado prato, faço-o por instinto; umas vezes acerto e digo-vos "foi boa escolha", outras erro redondamente e digo-vos "foi má escolha", assim. Mas quem me lê e muitas vezes até usa as minhas receitas, por certo não usará o Outras Comidas como blog conselheiro de vinhos, acho que não é difícil perceber onde param aqui méritos e deméritos.
Quem não percebe é o tal de quem vos falei ao princípio desta conversa e por isso decidi fazer hoje aqui esse truque do "disclaimer", uma manobra baixa que não tem tradução em português e que significa algo equidistante entre "pontos nos ii", "carta de principios" e "regulamento interno".

DISCLAIMER:

- O Outras Comidas é um blog onde se fala da cozinha do seu autor.
- O autor do blog é totalmente autodidata e amador, socorrendo-se, apenas nos casos de pratos tradicionais, dos conselhos de autores consagrados nesta área cultural.
- O autor do blog não segue qualquer linha de orientação culinária, gastronómica ou enológica, recusando quaisquer outros critérios que não sejam os dos seus gosto e opções.
- No Outras Comidas só se experimentam vinhos cujo preço não exceda 10€ (talvez resquícios de uma consciência formada à esquerda, acho imoral que um gole de certos vinhos possa custar mais do que muitas famílias tenham para viver o dia todo).
- Não há notas de prova no Outras Comidas. Por vezes peço conselho a um wine expert, que é o Arq. Cupido do blog Garficopo. De qualquer modo quando aqui se diz que um vinho é bom, ou mau, isso quer dizer tão-só que eu gostei dele , ou não.
- O Outras Comidas é um blog de cozinha, não de gastronomia.
  
                                                                                              Foto retirada de La Gourmandise

5 comentários:

A Taverna disse...

Boas tardes.
E ainda bem, pelo menos para meu prazer, que seja um blogue simpático e despretensioso.

Abraço.

diogo disse...

os vinhos são como as mulheres , é uma questão de gosto , e nem todos gostam da mesma .
um abraço e deixe lá os invejosos , quanto mais o invejarem maior é o seu sucesso

anna disse...

Sabes Luís, tem pessoas que nascem para brilhar como as estrelas (ser é diferente de ter) e outras que nascem para ser nuvens...
As nuvens empurra-as o vento ou desfazem-se em chuva, as estrelas ficam e brilham, ainda mais no escuro.
Continua a brilhar!!! E, como diz o Diogo, deixa lá isso...
Beijinhos.

vera disse...

"É a chamada dor de cotovelo, a que o povo, sempre mais assertivo, chama de corno e bem!"
Fala-se em dor de corno e aparece logo o JVC....

Margarida disse...

Gosto muito do seu blog. Não por simpatia, mas porque gosto mesmo da sua maneira autêntica, despretensiosa, simples, divertida, explicativa e por tudo isto, sábia de apresentar aquilo que gosta de fazer. Consigo aprendo muito, seja acerca das origens das coisas, seja acerca de novas maneiras de executar aquilo que já se faz há anos e tudo isto sempre numa vertente saudável. Por favor, continue assim e não dê importância àquilo que não lhe acrescenta nada enquanto pessoa. Um abraço.