segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"O" BOLO DE PÊRO

Não gosto de touradas em geral e daquelas em que entram touros, também não.
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Na realidade não me move nenhuma especial pena pelo sofrimento do bicho toureado, que eu até como em pedaços a que chamo lombo ou acém ou picanha e, digam o que disserem, só quem não viu um matadouro é que pode acreditar nessas patetices da morte sem sofrimento. Custam-me mais as alegrias boçais dos meus semelhantes ao assistirem sentados à tauromáquica função!

Mas claro que este não é o espaço nem o tempo de entrar neste tipo de tertúlia, até porque tertúlia gastronómica, que eu conheça, só há a dos Sabores, da Moira, e se me lembrei dos touros foi porque foi de lá que saiu "O" Bolo de Maçã.

Eu sou do Sul e além de não gostar de touradas, também não gosto de chamar "maçãs" aos "pêros".
Lá para cima chamam maçã a tudo o que é pomo, seguem a moda inglesa que só tem "apple" no léxico, mas se por aqui há duas palavras para dois tipos bem diferentes de fruto, não se percebe porque se há-de generalizar; é como chamar linguado a uma solha...

Este bolo de pêro que hoje aqui trago não é o bolo de maçã da avó da Moira; são parecidos mas nem isso é importante. O que realmente importa é que ela me indicou caminhos quando decidiu fazer alterações, e muitas, à sua receita original.

Eu, que em matéria de bolos ando ali muito direitinho e mesmo assim, sabe-se, fiquei atónito quando vi coisas como "uma chávena - achei muito, usei meia!" e aquilo a sair tudo perfeito no fim!!! Então não é nos bolos que não se pode "inventar"?

Decidi "mexer" no velho bolo de pêro, bolo que eu sempre achei "excessivo", quer em doçura, quer em gordura (e Deus sabe quantos quilos tenho A MAIS) e, mais ou menos com as proporções do da avó da Moira, não é que resultou em cheio e fez um bolo realmente inesquecível?

Ingredientes:

4 Ovos
2 chávenas de farinha com fermento
1,5 Chávenas de Açúcar amarelo (eram 2 de branco)
0,5 chávena de Azeite (era 1 de óleo)
2 chávenas bem cheias de pêro cortado em aparas
1 colher de chá de Canela em pó
1 pitada de sal

Preparação:

Batem-se bem todos os ingredientes, excepto a fruta.
Junta-se por fim o pêro em lâminas, envolve-se e vai a cozer em forno médio, em forma untada, até estar cozido (palito etc.), o que demora entre 45m e 1 hora.
Cobre-se a forma com papel de alumínio para que não queime por cima; quando estiver cozido, tire a protecção e deixe corar à sua vontade.
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É delicioso morno. No entanto, se conseguir esperar para o dia seguinte, deixa de ser "Um" bolo de pêro para passar a ser "O" Bolo de Pêro.

Nota:
A escolha do azeite em vez de óleo foi a pedra de toque para o sabor "caseiro", mediterrânico, português que este bolo passou a ter.

4 comentários:

Moira disse...

Luís,
Ficou perfeito!
Já agora confesso que só a primeira vez é que o fiz com óleo, todas as versões seguintes foram com azeite que é o que uso em casa para tudo :)
Quanto ao açúcar uso sempre amarelo e às vezes até mascavado ou mesmo integral, mas não menciono isso porque acho que cada um deve usar o açúcar que mais lhe agradar.
E claro que no dia seguinte é muito melhor, pois fica mais húmido.
Já agora, reineta é maçã? É que eu sou das tais que chamo maçã a tudo e para mim peros são os amarelos (risos)

LPontes disse...

Moira:
Para mim o que define "maçã" é a forma de disco achatado, ao contrário de tendência mais esférica ou de pêra invertida das outras, os pêros.
De repente só me lembro das reineta verde, reineta parda e uma variedade quase extinta e que era muito comum na zona do Oeste, a Maçã Riscada, simultaneamente doce e ácida e que tinha, por vezes, umas zonas translúcidas por dentro. É uma maçã daquelas que perfuma uma casa e quando tinha as tais zonas chamava-se Maçã de Espelho. Ainda se encontram no mercado ao ar livre do Rossio das Caldas da Raínha.

Moira disse...

Obrigada pela explicação.
Pelo que percebi é tudo peros excepto as achatadas. Essas riscadinhas conheço-as bem a minha colega de trabalho tem uma árvore e costuma trazer-me umas quantas, são espectaculares.

Paula disse...

Eu cá passo a vida a alterar e inventar receitas de bolos e não me dou mal.
O seu ficou fantástico.

Vou re-publicar o seu post acerca da Earth Water no Rap'ó Tacho.