quinta-feira, 18 de junho de 2009

Feijoada de Cabrito

Chegaram os feijões de debulhar!
A Rua Luís de Camões une a Calçada da Tapada e a estação da carris de Santo Amaro. Aí, mais ou menos a meio, está todas as manhãs uma velhota simpática que vende ali no chão, sobre um plástico, uns poucos produtos do seu quintal, vestígio fóssil de um comércio de subsistência que acabou há muito nas cidades. É lá que encontro mimos como espinafres bravos, caldo verde mesmo fino ou estes magníficos feijões catarino, de debulhar!
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Gosto muito de leguminosas em geral mas este feijão fresco com a sua capacidade para cozer o tempo que for preciso sem nunca rebentar é irresistível para mim. Ontem, e porque um feijão assim ilustre merece acompanhar algo de nobreza equivalente, decidi experimentar uma feijoada de cabrito.
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Ingredientes:
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Cabrito não muito jovem, ou cabra jovem.
Feijão debulhado
Cenouras + Cebola + Alho
Tomate + Polpa de tomate
Couve Repolho (facultativo)
Sal, Pimenta Preta, Cravinho,
Molho de piri-piri em vodka ou em azeite (facultativo)
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Preparação:
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Coza a carne conforme a sua qualidade até estar bem tenra e sair dos ossos com facilidade. Desosse e parta em pedaços grandes. Deixe arrefecer por completo o caldo da cozedura.
Retire a gordura sólida que se formou à superfície do caldo (ou apenas parte dela, se for muita) e refogue nela o alho, cebola e cenoura. Junte depois o tomate sem pele nem sementes e polpa de tomate. Tempere e deixe fervinhar por 10 minutos.
Junte então caldo de cozer a carne, o feijão e a couve repolho se estiver a usá-la, rectifique os temperos se necessário, tape e deixe cozer em lume baixo até estar o feijão cozido e o molho apurado, o que pode demorar entre 20-30 minutos. Deve ir provando o feijão porque ele nunca se desfaz como o seco.
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Servi com arroz branco e molho de piri-piri caseiro, em vodka, que cada um põe à sua vontade, no prato.


5 comentários:

colher-de-pau disse...

Eu ainda tenho a sorte de ter desses produtos caseiros... é para aproveitar enquanto os meus avós ainda se sentirem com coragem para tratar do quintal.
Mas reconheço que é muito difícil de encontrar determinadas coisas dessas nas cidades!
Quanto à feijoada, deixe que lhe diga: divinal.
Para estas comidas nunca ninguém me convida!

gasparzinha disse...

Quando a minha mãe traz feijão lá da terra dela é uma festa- não tem nada a ver!

Imagino a maravilha que estava esta feijoada...

Moira disse...

Luís,
Esse é um prato que nunca comi, mas que pelo aspecto não deixa margem para dúvidas que deve ser uma pequena maravilha.
Esse feijão na minha casa sempre foi utilizado para fazer uma sopa, a que eu chamo carinhosamente a sopa da avó Palmira, pois era a minha avó materna que com imensa paciência migava cada um dos componentes com precisão cirúrgica em que no final nada era triturado. É uma sopa muito reconfortante.
Lá pelas bandas de Trás-os-Montes, o feijão é apanhado no ponto de debulhar e é seco dentro das cascas, sendo consumido posteriormente durante o ano. Dando lugar a um prato com o nome de Butelo (chouriço com ossos feito da cabeça do porco) com Cascas (em que o feijão é demolhado com as cascas e cozido com elas. (no final comem-se também as cascas cozidas) é muito bom, para quem gosta de comidas regionais.
Moira

LPontes disse...

Olá Manuela,

É bem verdade que as idéias têm uma qualquer e misteriosa vida própria e que é só apanhá-las no ar...

Acho que hoje, mais uma vez, assisti ao fenómeno: Há muito, muito tempo que não me lembrava de butelo e cascas. Mas hoje, ao ver um post no Pratos e Travessas sobre umas mini-férias que eles fizeram no Nordeste, lembrei-me exactamente de Mogadouro, das cascas e do butelo (perdição!) e fiz um comentário nostálgico sobre o assunto.
Nem queria acreditar quando vi, pela segunda vez em duas horas, a sua referência, agora no OutrasComidas: é mesmo muito engraçado.
Acho que ainda tenho um saco de cascas que comprei em Mirandela; a ver se não passa deste fim de semana...

Bom fim de semana para si.

anna disse...

Adoro este feijão e só o descobri há pouquinho tempo. Nunca o usei em feijoada, mas acredito que só pode ficar bom...
É tão giro «ouvi-lo» escrever sobre sítios tão próximos de mim, como é a Rua Luís de Camões e o Alto de Santo Amaro...
Não sabia que este feijão não se desfaz...
Beijinhos.