quarta-feira, 1 de março de 2017

Grão do Patrão (164ª Trilogia)


                    Terceiro continente em extensão, segundo em população, provavelmente o mais rico em recursos naturais, África começou por ser pasto da voracidade colonial das potências europeias e depois alvo dos apetites não menos vorazes de alguns dos seus próprios filhos.
Ao longo dos 8.000 quilómetros que separam as montanhas do Atlas, em Marrocos, do Cabo da Boa Esperança, no extremo Sul, vão-se encontrando mais de meia centena de estados em que, na maior parte, ao lado da opulência imoral das oligarquias governantes, vive-se e morre-se nas mais abjectas condições de miséria, guerra, corrupção, doença e fome.
Não são estes países que hoje me interessam para esta 164ª Trilogia, em que sugeri à Ana e ao Amândio o tema “África ─ do Atlas à Boa-Esperança”, mas sim um outro, pequeno paraíso insular atravessado pelo equador que, não sendo um país rico pelos padrões europeus, tem por si, as maiores riquezas que se podem desejar, a natureza intocada, a alegria e a felicidade.
Sim, claro que estou a falar de S. Tomé e Príncipe, país de mar, cacau e café, de onde pela mão de João Carlos Silva*, na sua Roça de S. João dos Angolares, vamos hoje conhecer o Grão à Patrão, esta espécie de “rancho” equatorial, ou não tivesse S.Tomé sido uma das colónias de Portugal.

Ingredientes:

Grão cozido
Cebola
Alho
Malagueta vermelha
Óleo de palma
Frango
Tomate
Cominhos
Toucinho fumado
Chouriço
Farinheira
Paio
Morcela (usei chouriço de sangue)
Sal

Preparação:

Num tacho, leve ao lume em óleo de palma a cebola picada, alhos, cominhos pisados no almofariz com uma pitada de sal, depois o tomate e as malaguetas vermelhas.
Deixe refogar.
Adicione então frango previamente desossado e desfiado e deixe a tomar sabor durante alguns minutos.

Corte em pedaços as restantes carnes e enchidos, adicione-as e deixe a fervinhar por mais dez minutos.

Junte por fim o grão cozido, envolva e deixe apurar durante cerca de vinte minutos.

 Sirva.

Nota: * João Carlos Silva, cozinheiro, gestor hoteleiro da Roça de S. João dos Angolares e divulgador incansável da cultura são-tomense, tornou-se conhecido entre nós através de um programa televisivo culinário, de uma alegria sui generis e contagiante, “Na Roça com os Tachos”, de onde foi depois compilado um livro com o mesmo nome, editado em 2005 pela Oficina do Livro.



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