segunda-feira, 30 de maio de 2011

Filetes de polvo

         Muitas vezes dei um jeito à minha agenda profissional de modo a ser “obrigado” a estar pelas bandas de Campanhã pela hora de almoço e assim, ir almoçar ao Aleixo, pois claro, para me maravilhar com os filetes de polvo e arroz do dito (ou de pescada com arroz de feijão)!

Com o passar dos anos e o crescer da merecida fama, o Aleixo sofreu, no entanto, algumas variações, umas para cima e outras para baixo: para baixo, e muito, escorregou o tamanho das doses, que dantes deixavam qualquer um satisfeito e com pouca vontade de trabalhar à tarde e agora são (na parte do polvo) umas coisinhas minúsculas, tipo prato de menu de degustação de algum chef molecular, a faltar filete e a sobrar fome. 
Para o lado de cima, e muito, trepou o preço; não que o Aleixo tivesse sido alguma vez um daqueles sítios do Porto de preços exíguos que deixavam os alfacinhas boquiabertos, mas era o que se podia chamar um restaurante de preços medianos, acessível para se ir sem ser só em ocasião festiva. 
Agora não: do Aleixo sai-se depenado e com aquela sensação indefinida de que, se não fosse o preço e parecer mal, até marchava outra dose… para não falar da chico-espertice que algum guru do marketing descobriu e que fazendo jus à máxima “tempo é dinheiro”, neste caso “tempo de mesa é dinheiro”, nos empurra (literalmente) para uma sala de café de uma incomodidade inenarrável, onde tomamos o cimbalino e de onde somos finalmente corridos para a rua, depois de pagarmos, naturalmente.  
Por estas e também por outras de que o Aleixo não tem culpa, já há uns tempos que não provo lá os filetes de polvo de que tanto gosto.
Felizmente, é algo que podemos fazer sem dificuldade na nossa casa e que muitas vezes me dá desforra das diabruras do Aleixo. Assim:
Ingredientes:

Polvo congelado
Cebolas
Alhos
Louro
Salsa
Azeite
Polpa de tomate (ou tomate maduro)
Arroz carolino
Salada a gosto

Preparação:

Esta receita faz-se normalmente com polvo grande. Neste caso, que era só para dois, usei um polvo pequeno comprado já congelado e que acusava na balança 960g, os filetes não ficam tão direitinhos mas o sabor é o mesmo ou até melhor.
Coza o polvo do modo que usa normalmente, deixando-o tenro.
Utilize a cabeça, as partes finas das pernas e os ingredientes adequados para fazer um arroz de polvo, malandro. Deixe as pernas agrupadas a 2 e 2 e prenda cada grupo com um palito.
Passe por farinha, ovo batido e frite em azeite até estarem louros.
Regue os filetes  com sumo de limão e sirva com o arroz e uma salada a gosto. 

4 comentários:

nherf disse...

Sem duvida uma excelente refeição, cá por casa gostamos imenso de arroz de polvo, os filetes ou as pernas feitas deste modo costumamos por na mesa de Natal, que frio se come lindamente(os filetes).

turbolenta disse...

Infelizmente esse é o lema de muitos restaurantes.Aumenta o preço e diminui a qualidade e a quantidade.
Mas servir " a amostra", bem no meio do prato, enfeitado com qualquer molhinho e com umas coisinhas verdes a enfeitar é o lema de muito restaurante e não só de restaurantes de hotéis 5 ***** ou com *** no guia Michelin.
Sei do que relatou e concordo plenamente consigo . Parece que o cliente está a mais e não se lembram que é ele que faz a casa e que enche os bolsos aos proprietários.
Cá por mim dispenso os muitos enfeites. Quero é comida bem feita, que me alimente o estômago e a alma.
Muitas vezes para quê o produzido se temos, felizmente, pratos bem portugueses que se comem sempre com agrado?
Pois esta ementa satisfaz-me completamente e se à mesa tivermos um grupo de amigo em amena cavaqueira e na companhia de um bom vinho, então, nada mais é preciso.

cupido disse...

Um dia o grande Rafael Alberti escreveu um poema chamado: Nunca fue a Granada, superiormente cantado pelo grande Paco Ibañez:

http://www.youtube.com/watch?v=XJJt8Y9F7Gk

Eu nunca fui ao Aleixo e depois de ler o que escreveste, não tenciono voltar, até porque os meus filetes de polvo não saem nada maus...

Moira disse...

Gosto tanto de filetes de polvo e também de polvo panado.
No Aleixo nunca comi, mas o polvo panado do Valente em Vale de Cambra é fabuloso.