segunda-feira, 18 de outubro de 2010

1º Jantar do PROJETO L

.............. I JANTAR PROJETO L (aqui e no DCPV)


................... Toda a gente teve sonhos.
Uns, a determinada altura da sua vida decidiram assentar bem os pés na terra e mandá-los às urtigas; outros, como eu, envelheço alegremente sem esquecer os tempos de meninice em que sonhava ser o Mandrake (e com propósitos inconfessáveis!), depois na adolescência (e até hoje) a ver-me a ser como Corto Maltese (assim esbelto e tudo), depois a sonhar que um dia hei-de ir jantar ao El Bulli ou ao Noma, quando, em breve, for rico suficiente para isso.
Claro que nunca irei ao Bulli, ou ao Noma, ou à Osteria Francescana, ou ao D.O.M., porque é muito mais provável que nunca chegue a rico (na verdade é coisa que não procuro!) e, além disso, vejo os ricos que conheço muito mais ocupados a ser ainda mais ricos que irem comer a comida do Adriá, do René Redzepi, do Massimo Bottura ou do Alex Atala.
Mas claro que nunca se sabe…

Hoje o sonho travestiu-se de jantar e Alex Atala, pela mão do Eduardo Luz, trouxe o seu D.O.M. de S. Paulo até Lisboa e aqui presidiu ao primeiro jantar da série L.

Das receitas escritas por sua mão já aqui vos dei notícia. Este foi o jantar:

…que começou com uma entrada bem estranha e improvável, a misturar sabores tão diferentes como palmito de popunha, raiz forte, vieiras, shoyu e coral de vieira, algas e lula!
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Para dizer a verdade este jantar começou com um erro monumental e de palmatória, erro de principiante deslumbrado, de quem segue receita de mestre e pensa que receita é cânone esquecendo que uma receita é apenas o reflexo do gosto de quem a criou e que, qualquer comida deve ser feita ao nosso gosto.
Se eu acho (e já achava antes!) que wasabi estraga sempre qualquer sushi e a única coisa espetacular que provoca é lágrima e borrar tudo o que é sabor delicado sob o seu amargo picante e pungente, usar “raiz forte”, que é a matéria prima original do wasabi, entre a deliciosa e delicadíssima carne de vieira, só podia dar asneira, e deu!

Bonito mas muito mauzinho de sabor, fez-se uma reedição em que se realçou a combinação vieira-palmito com uma emulsão de azeite e shoyu, tudo se compôs e aprendeu-se a esquecida lição.


Finda a acidentada e repetida entrada, veio a “piéce de resistance” deste jantar, a Galinha de Angola Lutté, que, apesar de não ser a dita, que não havia por aqui, se fez representar por uma bela e campesina Galinha de Portugal e que, após os tratos culinários prescritos
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e polvilhada por uma farofa monumental, acabou comida de chorar-por-mais.

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E ainda vinha aí o bolo da D. Palmira…

….que é um bolo bem estranho, feito apenas com ovos, açúcar, castanha do Pará, pão ralado e… caril.
De confeção algo difícil, só resultou à segunda tentativa, depois de um arrefecimento invertido, como nos chiffons. Talvez o problema tenha a ver com o facto de ter usado noz em vez de castanha do Pará, fruto de uma árvore da lista vermelha de espécies em perigo pela recoleção desenfreada das suas sementes e que não poderia figurar num blog com pretensões ambientais e de sustentabilidade como este.
Mas a troca das nozes não impediu que tivesse ficado uma delícia, com a sua superfície caramelizada a maçarico e encimado com gelado que deveria ter sido de whisky mas foi de rum, que era o que havia à venda e eu não tenho máquina sorveteira.
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Claro que não ia cometer dois erros, para mais iguais, num só jantar. Estarão a perguntar-se onde está o elemento controverso deste bolo da D.Palmira, o caril, e a resposta é que….. não está.
Um noivado prévio experimental, feito com as aparas deste delicioso bolo e o também delicioso caril Jaypul, redundou numa perfeita incompatibilidade de génios e, antes que se estragassem duas casas, ficou-se por aqui, o caril no pacote e o bolo no prato onde viria cumprir o seu destino.
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Estando só dois comensais e havendo que trabalhar na manhã seguinte, fez-se a refeição acompanhar, e bem, por um tinto Terra Alta, uma sub-região na costa de Valência com vinhos muito especiais e personalizados.
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Este Vespral Reserva de 2006, feito com Tempranillo e Ganacha foi início, continuação e remate deste 1º Jantar L, já a pensar no segundo, que, se não for por mais, me deixa a terrível responsabilidade de ter de dar seguimento a um cardápio de Alex Atala!

domingo, 17 de outubro de 2010

Noodles Chineses

............... Este prato ficou decidido desde que a Ana fez a sua massada com a trilogia "infernal" cogumelo-camarão-ananás. Claro que este infernal é apenas a brincar; eu já me meti muitas vezes com ela por causa de camarões a sair como coelhos da cartola, mas na verdade esta combinação é muito feliz e será base inspiradora deste jantar que encantou e constituiu uma homenagem ao bom e velho molho Inglês, o Worcestershire Sauce, um tempero que tem sido empurrado para fora da cena culinária pela tirania dos molhos à base de soja. Tenho para mim que, um dia, os molhos de soja hão de fartar e alguém se há de lembrar que a metade ocidental do mundo também tem temperos para além do americano ketchup.
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Ingredientes:
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250g de entremeada levemente salgada
2 colheres de sopa de óleo de noz
1/2 pimento verde + 1/2 pimento vermelho
300g de miolo de camarão
1/4 de ananás em pedaços
300g de cogumelos Portobello
Sal e pimenta
4 colheres de sopa de molho inglês Lea & Perrins
300g de massa "noodles" chinesa
1 laranja
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Preparação:
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Coza os noodles por 2/3 do tempo indicado na embalagem. Esse tempo é importante e pode ir de cerca de 20 segundos para os "instant noodles" mais finos até cerca de 4 minutos. Escorra e lave em água corrente fria. Reserve.
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Toda a sequência seguinte é executada em lume forte e com alguma rapidez, em wok ou caçarola antiaderente.
Frite a entremeada na sua própria gordura.
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Junte o óleo e os pimentos em tiras finas,
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o miolo de camarão,
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o ananás,
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os cogumelos inteiros, tempere com sal e pimenta,
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adicione então o molho inglês,
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e a massa, envolva e deixe ficar tudo bem quente
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apague o lume e junte então a laranja, que não deve cozinhar.
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Sirva logo.
.Nota
Nota: Na altura de comprar molho inglês, não há que hesitar entre marcas. O original da Lea & Perrins é de tal forma superior a todos os congéneres que vale bem a pena o custo ligeiramente maior (cerca de 1 euro a mais).
Nota vínica: O problema de não podermos transportar os blogs quando vamos ao supermercado é que chegamos à frente deste Quinta de Cabriz, rosé do Dão
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e o nome faz-nos soar uma campaínha qualquer - tenho a certeza que o Cupido falou há pouco tempo deste nome e até não era mau - (o Cupido é o meu expert para vinhos da classe de um dígito, que são os que eu bebo), e lá trazemos o rosé para casa, desconfiados porque a nossa relação com rosés é tudo menos boa, mas o Cupido diz que há grandes mudanças...
Chega-se a casa, refresca-se o vinho para acompanhar a homenagem ao Worcestershire Sauce e, deceção total! Fraquinho, sem qualquer pinga de personalidade é daquelas bebidas que já não se conseguem recordar ou descrever (a não ser pelo que não são) cinco minutos depois de bebidos.
Vai-se conferir o Garficopo e, claro está, o tal bom era outro Cabriz, um tal encruzado.
Os rosés continuam de candeias às avessas comigo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Polvo no Forno

........................ É também por isto que eu gosto do tempo fresco: passam a saber bem os pratos quentes, não só em temperatura como em personalidade, afastadas que estão as levezas e frescuras das comidas estivais.
Se for verdade que isso de ser invejoso leva ao inferno, então serão posts como este do Cupido que me farão arder per omnia saecula saeculorum.
Despeitado o suficiente por não estar a provar aquele Polvo a Ria, lá nas Rias Bajas dos meus encantos, decidi logo mitigar a inveja dando ao gastrópode uma dose suplementar de calor, apuro outonal e lagareiro: forno com ele!

Ingredientes:
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1 polvo grande (congelado)
2+1 cebolas
5 dentes de alho
1 folha de louro
2 dl de azeite
1 dl de vinho branco, seco
Sal, pimenta e pimentão doce
Batatinhas novas q.b.
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Preparação:
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Descongele o polvo e coza-o como quiser. Agora a moda é a cozedura em su suco, dizem-me que resulta mas eu uso o método galego, como escrevi aqui e que resulta de certeza,
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deixando uma textura no polvo que não tem nada a ver com polvo muito cozido.
Unte as batatas com azeite, salpique de sal e ponha-as no forno a 180ºC durante 30 minutos em forno ventilado ou 45minutos em forno estático.
Refogue no azeite a cebola picada, o alho e o louro. Quando alourarem junte o polvo em troços grandes, a pimenta e o pimentão doce.
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Frite o polvo até que fique um pouco caramelizado, levante este caramelo com o vinho branco e apague o lume.
Dê o tradicional murro em cada batata, regue-as e envolva-as no molho do polvo, disponha-as na periferia do tabuleiro, resrvando o espaço central para o polvo. Leve o conjunto a forno quente (180-190ºC) durante 15-20m. Se o molho ficar transparente e fritar durante o tempo de forno, vá juntando pequenas quantidades de vinho branco para que o sabor não agarre à assadeira.
É que este sabor é uma delícia!
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Pensando bem, este foi um almoço que valeu bem as eternas chamas do inferno que me esperam por ter invejado o polvo do Cupido...
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ghee - Clarificar manteiga

.......................... Chama-se ghee (diz-se gui) nas cozinhas indiana e ayurvédica, beurre noisette na cozinha francesa e simplesmente manteiga clarificada entre nós.
Alguns puristas (da ayurvédica) defendem que só o seu ghee é verdadeiro ghee, mas visto com olhos de ver, claro que é tudo a mesma coisa e o que querem é vender os seus caríssimos boiõezinhos "abençoados".
No que se refere a manteiga clarificada o que há, como em tudo na vida, é a versão bem feita e outra mal feita.
Manteiga clarificada é a gordura pura do leite, sem soro, proteínas lácteas, sal, etc., que representam cerca de 20% do peso da manteiga e que a tornam imprópria para fritar ou saltear, já que essas proteínas degradam-se em compostos castanhos que escurecem a manteiga, dão um péssimo sabor e são tóxicos.
Clarificar manteiga é um processo muito simples que podemos fazer em casa e disfrutar assim dessa magnífica gordura culinária que, ainda por cima, tem uma conservação praticamente indefinida.
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Ingredientes:
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Manteiga
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Preparação:
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Ponha dois ou três pacotes de manteiga numa panela, a derreter em lume baixo.
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Cada 250g de manteiga rendem entre 170 e 180g de ghee. Teoricamente deveriam dar 210g mas há sempre perdas no processo.
Ao fim de alguns minutos, vai começar a formar-se à superfície uma espuma franca, com farrapos sólidos.
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Apague o lume e, com uma escumadeira de rede fina (eu uso um passador de chá) vá retirando esta espuma superficial, tendo o cuidao de não a misturar com a camada transparente amarelo intenso que aparece por baixo.
No fundo, sob a camada transparente amarela há ainda um grande depósito leitoso. Deixe tudo em repouso por alguns minutos e passe então a camada amarela para boiões, tendo o cuidado de não deixar passar a parte leitosa do fundo.
Se o ghee ficou bem feito, pode conservá-lo fora do frigorífico por muitos meses sem rançar. Eu guardo-o no frigorífico e uso-o em todas as situações em que se diz, frite, aloure, salteie etc., em manteiga, com resultados que se tornam, por milagre, como que obtidos numa qualquer "Twilight Zone" de grande cozinha.

Visão - Edição Verde 2010

............ Está hoje nas bancas mais uma edição "verde" da revista Visão.
Desde um precioso balanço sobre o estado deste planeta em que todos andamos, até questões tão importantes como os sítios em que podemos encontrar alimentos amigos do ambiente para os nossos pratos, esta é uma edição a não perder!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Projeto L

.........O Projeto L é um projeto de duas pontas, como a letra, que tem em cada uma os éles de Luís Luz (o Eduardo!) em S. Paulo e o Luís (eu), aqui em Lisboa.

Vamos jantar juntos por muitas vezes, unidos por “pontes” virtuais, e vamos dar-vos conta dessas refeições e libações, aqui no Outras Comidas e lá no DCPV, como fizemos no Projecto Y (aqui ainda tinha o “c”porque o Acordo Ortográfico não estava aprovado), projeto a que caiu uma perninha (a Marizé) mas não faz mal: cá por mim é com duas pernas que se corre melhor!

Chamado a compor o menú de abertura o Eduardo decidiu fazer aquilo que se chama "uma entrada triunfal", com foguetes, fanfarra e tudo o mais: nada mais nada menos que uma ementa de Alex Atala, o mítico chefe brasileiro que comanda o D.O.M., 18º Melhor do Mundo, no disputadíssimo ranking do prêmio “The S.Pellegrino Best Restaurants in the World”, levando ainda o título de “The Best Restaurant in South America”. Só!

Pois será com pratos do D.O.M. (iniciais de Dominus, Optimus, Maximus), receitas escritas e enviadas ao Eduardo pelo próprio Atala que amanhã preencherei o meu jantar lisboeta, o 1º Jantar L.

Para que não restem dúvidas sobre o que me espera, aqui fica o que, respeitosa, humilde e esforçadamente tentarei fazer (e comer, pois claro!) amanhã.
Sem correções, exatamente como a recebi e pelo pulso do próprio Alex Atala, a ementa:

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Palmito fresco Vieiras e Coral
Galinha d´angola lutte
Bolinho da Dona Palmira com sorvete de wiskey, chocolate e curry

Espero que vcs gostem!
Forte abraço
Alex Atala


Receitas –


Palmito fresco e vieiras de coral

Ingredientes
4 vieiras,
200 g de coração de palmito pupunha,
60 g de foie grãs,
10 g de raiz forte,
4 folhas de estragão fresco,
10ml de azeite de oliva,
10 ml de azeite de manjericão,
sal maldon,
pimenta do reino.

Preparo

1 – Limpe as vieiras e reserve o seu coral. Corte-as ao meio, no sentido longitudinal e reserve.
2 – Corte o palmito em fatias finas e use um aro com 4 cm de diâmetro
3 – Corte fatias de 2 mm de foie gras, molde-as em retângulos de 1 por 2 cm e reserve.

Para o molho de coral

Ingredientes
220 g de coral,
100 ml de suco de limão,
50 ml de shoyo

Preparo

1 - Retire a parte marrom do coral e dispense.
2 – Coloque no liquidificador o coral, o suco de limão e o shoyo. Bata em velocidade alta por 5 minutos.
3 - Passe por uma peneira e reserve.

Azeite de ervas

Ingredientes
30 g de salsinha,
10 g de sálvia,
10 g de tomilho fresco,
5 g de orégano,
15 g de alecrim,
500 ml de azeite

Preparo

Separe as folhas dos talos e descarte-os. Pique finamente todas as folhas e misture ao azeite.

Para a lula

Ingredientes
120 g de lula em anéis,
20 g de alga marinha desidratada,
5 g de salsa,
5 g de ciboulette,
10 ml de azeite de ervas,
sal e pimenta do reino.

Preparo

1 – Branqueie os anéis em água fervente e sal por 10 segundos.
2 – Resfrie-os em água com gelo, retire e reserve.
3 – Hidrate a alga.
4 – Pique a salsa e a cebolinha finamente.
5 – Tempere a lula com sal, pimenta, azeite de ervas, alga, ciboulette e salsa. Reserve.

Emusão de shoyo

Ingredientes
200 ml de azeite de oliva,
25 ml de shoyo

Preparo

1 – Misture o azeite com o shoyo
2 – Emulsione bem e reserve.

Azeite de manjericão

Ingredientes

Manjericão,
óleo de canola.

Preparo

Faça uma mistura triturada que resulte numa densidade média.

Finalização

Em cima dum disco de palmito, disponha metade duma vieira e cubra-a com meia colher de café de raiz forte. Repita o processo 3 vezes e finalize com um disco de palmito. Sobre o carpaccio montado, coloque uma delicada porção de lulas, o foie grãs e uma folha pequena de estragão

Montagem

Com uma colher, faça um risco com um pingo de molho de coral no prato. Disponha o carpaccio e sobre ele, coloque uma gota de molho de coral, outra de emulsão de shoyo, pimenta e sal maldon.
Coloque um fio de azeite de manjericão no risco de coral e finalize com uma ciboulette.

Galinha d’angola lutte

Ingredientes
2 cebolas,
1 alho-poró,
2 cenouras, ,
3 talos de salsão,
2 folhas de louro,
1 ramo de tomilho, e ramo de alecrim,
2 ramos de salsa lisa,
2 ramos de hortelã,
3 dentes de alho,
1 galinha d’angola,
10 ml de óleo de canola,
25 g de manteiga sem sal,
6 tomates maduros,
200 ml de vinho branco seco,
1 maçã verde.

Preparo

1- Pique e doure todos os ingredientes e acrescente as ervas.
2 – Com parte dos legumes, recheie a galinha, amarre bem, tempere com sal e doure na “cocote” com óleo e manteiga
3 – Retire a galinha. Coloque o restante dos legumes e doure-os profundamente.
4 – Adicione os tomates crus e o vinho e cozinhe por 5 minutos.
5 – Retorne a galinha à panela. Feche com o patê morte.
6 – Leve ao forno por 45 minutos a 180 ºC depois por mais 15 minutos a 160ºC.
7 – Retire a galinha, coe o caldo e reserve os legumes.
8 – Sirva em seguida.

Para o patê morte

Ingredientes
200 ml de água, 500 g de farinha de trigo, 1 clara

Preparo

Misture tudo até ficar uma massa homogênea. Guarde na geladeira em um recipiente com tampa até a hora de usar.

Para a farofa

Ingredientes
50 g de bacon em cubos,
1 cebola média,
10 g de manteiga,
2 ovos,
200 g de farinha de mandioca amarela,
sal e pimenta do reino

Preparo

1 – Numa frigideira, doure o bacon e adicione a cebola cortada em meia-lua.
2 – Coloque a manteiga e os ovos e cozinhe rapidamente.
3 – Acrescente a farinha de mandioca e em fogo baixo, salteie até ficar crocante.
4 – Verifique o sal e a pimenta e reserve para o momento do serviço.

Bolinho da D Palmyra com sorvete de uísque, chocolate e curry

Para o bolinho

Ingredientes
6 ovos,
450 g de açúcar,
250 g de castanha-do-pará,
3 colheres de sopa de farinha de rosca,
10 g de curry,
10 g de açúcar demerara e curry pra finalização

Preparo

1 – Bata o açúcar e as gemas até ficarem esbranquiçadas.
2 – rale a castanha e reserve.
3 – Bata as claras e reserve.
4 – Incorpore a castanha as gemas, adicione as claras em neve e por último, a farinha de rosca.
5 - Em uma forma de silicone, asse em forno a 170ºC por 13 minutos.
6 – deixe esfriar e tire da forma.
7 – Com uma peneira, polvilhe curry sobre o bolo.

Para o sorvete de uísque

Ingredientes
500 ml de creme de leite, 500 ml de leite, 12 gemas peneiradas, 200 g de açúcar, 200 ml de uísque de boa qualidade

Preparo

1 – Bata as gemas com o açúcar até esbranquiçar.
2 – Ferva o leite e o creme de leite.
3 – Adicione o creme e o leite às gemas mexendo sempre.
4 – Volta ao fogo e deixe cozinhar sem ferver até ficar levemente cremoso.
5 – Retire do fogo, passe por uma peneira e adicione o uísque.
6 – Resfrie e leve para uma máquina de sorvete.

Para a calda de chocolate

Ingredientes
250 g de chocolate de boa qualidade, 250 ml de água, 75 g de açúcar, 75 g de manteiga amolecida.

Preparo

1 – Pique o chocolate e reserve.
2 – Aqueça a água e dissolva o açúcar.
3 – Adicione o chocolate aos poucos e misture bem até que esteja completamente incorporado.
4 – Deixe reduzindo em fogo brando, sem ferver, até que reste a metade. Retire do fogo.
Quando estiver em temperatura ambiente, adicione a manteiga e misture bem.

Finalização

Polvilhe uma camada fina de açúcar por cima do bolo. Queime levemente com um maçarico.

Montagem

Cubra o fundo do prato com a calda de chocolate, coloque o bolo por cima da calda e uma quenelle de sorvete em cima do bolo. Finalize com curry polvilhado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sopa de Chicharros

.............. O chicharro, que não é mais que carapau bem grande, anda por esta época gordo e bom.
Peixe que se presta a inúmeras utilizações, desde assado no forno ao tradicional grelhado, tem, além do estupendo sabor e delicada consistência, a vantagem de ser dos peixes mais baratos e abundantes que se nos oferecem.
Uso-o muitas vezes nestas sopas de peixe, associado ou não a peixes de carne dura e cabeça de peixe-espada.
Desta vez foi assim bem simples, só chicharro com um cheirinho de sardinha e outro de hortelã da ribeira, pois claro.
O tempo chuvoso começa a pedir estes bálsamos.
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Ingredientes:
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4 Chicharros (1,3Kg)
3 Sardinhas
4 dentes de alho
1/2 pimento
0,5dl de azeite
Pimenta e 1 piri-piri
2dl de calda de tomate
1 colher de sopa de vinagre
250g de Cotovelos pequenos
1 raminho de Hortelã da Ribeira (na falta, poejo fresco e na falta, hortelã)
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Preparação:
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Ao fazer uma sopa de peixe só com peixes de carne mole, deve prepará-los previamente para garantir que não se desfaçam.
Eviscere os peixes e escame a sardinha. Salgue abundantemente com sal marinho grosso e deixe de um dia para o outro.
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Lave bem todo o sal, disponha numa panela e cubra com água fria.
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Leve ao lume médio, sem sal. Quando a água começar a querer borbulhar à volta, ainda sem ferver realmente, apague o lume e retire o peixe.
Separe a carne das espinhas, reserve aquela, ponha espinhas e peles na água em que o peixe cozeu, volte a lume mínimo por duas horas.
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Côe e reserve o caldo.
Refogue sem puxar os outros ingredientes.
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Se estiver na época use também dois tomates frescos (nunca de estufa); neste caso omita o vinagre.
Junte o caldo menos um terço, deixe ferver, prove para verificar sal que, em princípio, não deve precisar e ponha então os cotovelos.
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Quando estiverem cozidos al dente, apague o lume e junte o peixe e o terço de caldo frio (se não estiver frio, coloque a panela dentro de outra com água fria para parar a cozedura da massa que, se ficar dentro da sopa a ferver continuará a cozer e a espapaçar.
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Sirva com um raminho fresco da aromática que usou.

sábado, 9 de outubro de 2010

Bolo de Maçã, by me

................... Este bolo de maçã (feito tradicionalmente com peros) é um clássico de bolo familiar de tipo tudo-lá-para-dentro-e-toca-a-mexer.
Feito com quantidades prodigiosas de óleo (para obviar a evidente falta de líquido para amassar) e açúcar, quem o conhece sabe bem que é o que se chama um bolo doce e gorduroso, deixando nódoa em tudo o que toca, nem que seja na consciência, pois até o mais estouvado percebe a enormidade alimentar que aquilo é.
Há precisamente um ano, por inspiração num post da Moira, decidi alterar as partes mais gritantes dessa receita "oleosa" e o resultado foi deveras encorajante, embora uma questão da secura da massa durante o amassar não tivesse ficado plenamente resolvida e a lisura final antes de ir ao forno fosse conseguida afinal pelo desfazer de parte da polpa do fruto na massa, com prejuízo para a presença final abundante de fruta dispersa pelo bolo que era o que se pretendia.
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Decidi fazer uma outra abordagem a esta questão e os resultados são agora plenamente satisfatórios, com a massa a ter uma consistência perfeita na enforna e o bolo a sair cheio de grandes pedaços de maçã não desfeita no seu interior.

O resultado foi tão bom (e desta vez até tomei notas das quantidades!) , a hora do lanche deste Sábado cheio de chuva aproxima-se e decidi abrir uma exceção e publicar aquilo que, normalmente, por não ser relevante ou ser apenas cópia cega de receita de outrém , guardo para mim.
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Ingredientes:
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4/5 Ovos (consoante o tamanho)
300g de farinha com fermento
350g de Açúcar amarelo
4 colheres de sopa de Azeite
1Kg de maçãs ou pêros cortadas em oitavos
1 colher de chá de Canela em pó
1 pitada de sal .
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Preparação:
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Descasque as maçãs e corte-as em oito gomos. Dentro de uma panela, envolva-as no açúcar.
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Deixe ficar cerca de meia hora para se começar a formar algum líquido no fundo e leve ao lume para que todo o açúcar derreta.
Deixe ferver por breves minutos
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e passe por um passador para escorrer bem.
Reserve o líquido e as rodelas de maçã e deixe arrefecer.
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Bata as gemas e a canela com esta calda, depois o azeite,
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misture então 250g da farinha peneirada e trabalhe bem. Junte por fim os restantes 50g de farinha à massa trabalhada o que originará uma massa bastante densa e difícil de mexer.
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Envolva então com as claras batidas com a pitada de sal em castelo firme e, por último, os pedaços de maçã.
Misture leve a cozer em forno médio e em forma untada, até estar cozido (palito etc.),
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o que demora entre 45m e 1 hora.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Iscas com Elas

................ Iscas são, genericamente, fatias finíssimas de uma víscera, embora se use mais para o fígado de porco.
Petisco tradicionalmente referido como de Lisboa, o certo é que foi no Porto que comi sempre as melhores, mas hoje, por todo o lado é prato em nítido declínio, acompanhando o novo-riquismo filet mignon que tem atacado a nossa sociedade que de tão rica, tão rica, reduziu o seu universo cárnico a meia dúzia de peças que imaginou serem apanágio dos ricos a sério.
Escusado será dizer que os novos narizinhos-permanentemente-torcidos dos ex-pésdescalços, relegaram tudo o que lembrasse entranhas para a categoria de comida de cão, e não de todos, que o Bobby tem chip e pedigree!
Vivam a bifana, o bitoque, os lombinhos e a picanha!

Se as nuvens negras que se avolumam sobre o nosso triste destino coletivo, derem nas previsíveis tormentas que se vão desenhando, talvez não falte muito para que as esquecidas iscas voltem a povoar os cardápios familiares. Por mim, sempre aqui estiveram, são uma delícia que nunca repudiei e faço-as assim:
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Ingredientes:
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700 g + 50g de fígado de porco
4 colheres de sopa de banha
5 dentes de alho
2 folhas de louro
2 dl de vinho branco
2 colheres de sopa de vinagre
Sal e pimenta
Batatas
salsa (facultativo)
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Preparação:
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Arranjar verdadeiras iscas é o maior trabalho deste prato. Eu compro o fígado e faço-as em casa, finas como devem ser, mas eu tenho facas profissionais e muita prática e reconheço que não é coisa que se aconselhe.
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Bom, cada um tem o seu talhante e descobrirá a melhor maneira de não levar para casa uns bifalhões de fígado. Se quiser iniciar-se na maquiavélica arte da manipulação vá espreitar aqui.
Obtidas as iscas, faça com elas e com o alho, louro, sal, pimenta, vinho e vinagre uma marinada que deve manter até ao dia seguinte ou, na impossibilidade, deve durar pelo menos duas horas.
Aqueça bem a banha e frite nela, em lume forte, as iscas escorridas e que vai retirando da frigideira à medida que vão ficando fritas. Quando já só tiver na marinada cerca de 50g de fígado, volte a pôr todas as iscas fritas na frigideira, junte-lhes os alhos e louro, passe com a varinha ou no liquidificador as iscas cruas juntamente com o líquido da marinada e leve tudo ao lume. Deixe fervinhar por cerca de 20 minutos, após os quais se deve ter formado um molho espesso e rescendente.
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Caso este tenha talhado, o que se deve a lume demasiado forte, dissolva uma colher de chá de farinha em meio copo de água e junte ao molho, agitando, que logo recupera.
Sirva com batatas cozidas com casca, partidas a garfo e temperadas com o molho das iscas , polvilhadas ou não com salsa picada,
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ou experimente comê-las como se fazia nas tascas, metidas dentro de pão bem molhado com o seu molho, quentes a queimar..

domingo, 3 de outubro de 2010

Tomates Recheados

................. Eles estão a dar os últimos suspiros este ano, em algumas "superfícies" foram já substituídos pelos deslavados de estufa que, durante os próximos nove meses irão fingir que são tomates a sério.
Durante este odioso defeso uso apenas enlatados ou concentrados, não são frescos mas ao menos sabem a tomate!
Com os últimos de 2010 (que ainda vão aparecendo), fiz estes tomates recheados, um prato muito simples mas eficaz para reconfortar estes dias já decididamente outonais.
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Ingredientes:
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Tomates maduros mas firmes
Arroz carolino
Carne de vaca picada
Alho em pó
Vinagre
Manteiga
Sal e pimenta preta
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Preparação:
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Misture a carne com alho em pó, sal, pimenta e um pouco de vinagre. Reserve.
Coza arroz no mesmo volume de água com sal. Reserve.
Tire uma "tampa" aos tomates e vaze o interior sem danificar as paredes.
Frite a carne em manteiga, mexendo para que não se agregue, misture bem o arroz semi-cozido e encha os tomates com a mistura.
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Leve a forno forte durante cerca de 20 minutos, variando para mais ou menos tempo conforme a qualidade do forno e o tamanho dos frutos.
O arroz termina a cozedura com o líquido que o tomate liberta. Se se usa arroz já totalmente cozido o resultado é uma papa, sendo o erro mais frequente em tomates recheados.