sexta-feira, 30 de maio de 2008

"Sopa By Me"


Nesta última semana a ideia assaltava-me de tempos a tempos, e eu sabia que mais tarde ou mais cedo teria de experimentar “Uma sopa by me...”, algo muito especial, que nos dizeres do seu autor, A. Cupido, “começou com uns ossos da espinha do porco...
Foram a cozer com uma alheira (que obviamente se desfez...)”
Só não sabia quando seria.
Afinal a ocasião estava ali mesmo à espreita: procurava um cachaço de porco para um prato do fim de semana, encontrei-o, e quando me perguntaram se ia assim ou se queria que o desossassem compreendi que tinha encontrado os “ossos carregados” perfeitos.
Aqui no Sul é difícil encontrar ossos a sério, com carne suficiente para serem petisco, pois são vendidos como comida para cães e portanto há que deixar o máximo de carne do outro lado...
Mas não era este o caso, pedi para que desossassem deixando o espinhaço bem carregado, já que tinha pago tudo, e, realmente, aqueles ossos pareciam autênticas costeletas cheias de carne.
Em casa oficiou-se pela receita, com uma ligeiríssima introdução, aliás também inspirada pelo mesmo autor, aqui. É que eu não sou capaz de seguir uma receita à risca; nem as minhas próprias receitas, de facto, é uma espécie de maldição (ou bênção?).
Uma Sopa By Me...” é realmente algo que não se esquece. Para mim acabou sendo jantar e é daqueles pratos tão marcantes que sei que o repetirei muitas vezes.
É assim:

Ingredientes:

Ossos do cachaço de porco, carregados
1 Alheira
1 Cebola
½ Couve-Flor média
50 Favas
Fatias de pão, tostado ligeiramente
Raminhos de Hortelã
Sal

Preparação:

Coza na panela de pressão, em água com sal, os ossos, a alheira sem pele, a cebola, a couve-flor e as favas embrulhadas num pano, durante 30 minutos.
Deixe perder pressão, abra, e retire os ossos para um tabuleiro de forno. Retire também o embrulho das favas e retire-lhes a pele aproveitando apenas o interior que volta à panela.
Passe o caldo com a varinha até se apresentar perfeitamente liso e aveludado.
Leve os ossos ao forno (grill) para que tostem ligeiramente à superfície.
Sirva pondo no fundo do prato uma fatia de pão ligeiramente tostado, umas folhas de hortelã, em cima um osso e por fim o caldo quente.

Nota:

Se quiser experimentar a versão original de Cupido, retire as favas. Na realidade como só provei esta não tenho termo de comparação para poder afirmar se a introdução melhorou ou, pelo contrário, piorou. Mas sei que é uma grande sopa, um grande prazer para os sentidos, e não só o do paladar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Iogurte Escorrido



O uso de iogurte como substituto das natas em molhos , recheios ou como tempero de saladas, tem sido muito abordado aqui na "esfera" nos últimos dias.
Claro que é aliciante ter algo que possa substituir um ingrediente que, para a maioria de nós (ai!ai!) é mais que pecado, é quase um crime calórico.
Comecei a fazer experiências culinárias com iogurte há vários anos, inspirado nas técnicas indianas, quase sempre por altura das tentativas infrutíferas para repor alguma "linha".
Os problemas mais comuns levantados pelo uso de iogurte simples são, por um lado, a quantidade excessiva de soro que contêm e que leva a que "talhem" facilmente quando o molho volta ao lume, por outro a acidez demasiado láctea que apresentam ao paladar e que provém do ácido láctico presente nesse mesmo soro.
Um e outro problemas são resolvidos imediatamente pela operação que a seguir descrevo, de uma simplicidade desconcertante e que dá origem a algo que, do ponto de vista dos sabor, consistência e uso, anda muito perto de um "suissinho", do Philadelphia ou do Mascarpone.
Desprovido do azedo cartacterístico e com uma untuosidae magnífica que desmente os apenas 7% de matéria gorda que contém, é presença diária entre tantas outras utilizações, como "manteiga" das torradas dos meus pequenos-almoços.

Ingredientes:

8 iogurtes naturais, 3,5% m.g.
1 colher de sopa de Azeite Virgem
Flor de Sal

Preparação:

Faça isto pela hora de jantar.
Despeje os iogurtes num passador de rede fina e ponha este apoiado numa panela ou tigela vazias, a escorrer.
Antes de ir dormir, incline o passador. Verá que se formou junto à rede uma "pele" mais seca. Com a ajuda de uma colher empurre essa camada mais seca para dentro da massa, de modo a que no seu lugar fique iogurte menos escorrido, que estava por cima. Deixe assim o resto da noite.
De manhã, vaze o conteúdo do passador (que estará reduzido a metade do peso iniciaal) para uma tigela, adicione Flor de Sal (ou simplesmente sal) e o azeite e bata bem até ficar uma pasta lisa e brilhante.
Bom pequeno-almoço!

Notas:

Se fizer esta preparação apenas para os molhos e saladas, não precisa juntar o azeite, claro. Eu uso o azeite porque faço uma quantidade grande e depois uso para tudo, culinária e barrar.
Esta pasta aguenta limão ou vinagre sem dessorar, o que não acontece com o iogurte normal e porta-se no lume, melhor que natas.
Oito iogurtes pesam cerca de 1200g e escorrem sensivelmente 600g de soro, pelo que a matéria gorda passa a ser de 7%. Com o azeite indicado a m.g. fica perto dos 10% mas com incremento da qualidade.
Uso iogurtes meio-gordos de Linha Branca, dos mais baratos. Os iogurtes magros perdem dois terços do seu peso e ficam algo "ásperos" mas claro que serão opcção em dietas rigorosas.
Após escorrido, todas as adições de sabores são possíveis. Uso muitas vezes o alho (em pó, pois fresco torna-se difícil de dosear), coentros, orégãos, pomodori secchi moído, pimenta, pimenta verde esmagada, etc., para as pastas de barrar no pão.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Polvo Seco Cozido


Há terras que despertam em nós compulsões para determinadas coisas, que só ali fazemos, nem sabemos bem porquê.
A metade paterna da minha família é de origem Pernambucana e a materna da Nazaré. Talvez por isso eu tenha um carinho muito especial por esta vila onde ainda há restos desconhecidos de família e onde vou muitas vezes, quer de Verão quer de Inverno. Sempre que lá passo, há duas coisas que não consigo deixar de fazer: subir ao Sítio de elevador e comprar peixe seco, na praia.
Ao longo do areal, sucedem-se as secas de arame onde se enfileiram milhares de carapaus abertos, quais pequenos bacalhaus, alguns outros peixes e polvos.
Depois de algum regateio, lá venho com um saco cheio, que começo logo a comer, assim mesmo, sentado no paredão.
O polvo seco ao sol pode comer-se passado pelo fogo, para amolecer, ou então, demolhado e assim reverdecido, feito como se de polvo fresco se tratasse. Só que com um sabor mais rico e único, antigo, especial.

Ingredientes:

1 Polvo seco ao sol, da Nazaré
Grêlos de nabo
Batatas

Preparação:

Demolhe o polvo em água, durante 24 horas.
Coza o polvo em água e sal durante cerca de 1 hora ou até estar tenro, como polvo fresco.
Acompanhe com batatas e grêlos, regado com azeite virgem e vinagre de vinho.



domingo, 25 de maio de 2008

Cartuchini Recheados



Esta é a apresentação mundial da nova massa Cartuchini!
Claro que não posso garantir absolutamente que ninguém a tenha feito antes de mim, mas posso garantir que procurei nos meus livros de Cozinha Italiana ( e tenho o Könemann), e lá há muita coisa mas nada parecido com os meus Cartuchini ( diz-se kartuxini e não kartukini como seria se italianos), assim baptizados pela evidente analogia morfológica com os conhecidos e portuguesíssimos cartuchos de castanhas assadas.
Idealizados para rechear e gratinar no forno, assim foram feitos e ficaram uma verdadeira delícia gourmet.
Claro que, se quiser provar estes cartuchini, terá mesmo de fazê-los, literalmente, duas vezes. Valem a pena!

Ingredientes: ( 2 pessoas)

12 Cartuchini
3 colheres de sopa de Azeite
2 fatias de Presunto
2 dentes de Alho
1 colher de chá de Maizena
50 ml de Nata líquida
4 Iogurtes escorridos
Orégãos (frescos se possível)
Miolo de pão duro
Parmesão ou Padano ralado
Tomate Seco moído (pomodori secchi)

Preparação:

Ponha 4 iogurtes naturais a escorrer num passador de rede, com, pelo menos, duas horas de antecedência.
Faça massa fresca como foi indicado na receita anterior. Chegam 100g de farinha e 1 ovo. Estenda a massa e corte 12 quadrados com cerca de 5-6 cm de lado. Pegue num, molhe com água 1 cm ao longo de um lado e dobre-o sobrepondo o bordo molhado ao bordo do lado seguinte. O movimento é o de fazer um cone ou cartucho de castanhas. Carregue na área sobreposta, entre polegar e indicador, para colar, o que é imediato. Ponha um palito ou outra coisa qualquer lá dentro para impedir que feche. Reserve e faça os restantes 11.
Pique os alhos muito fino e refogue no azeite, sem alourar, e logo o presunto cortado em tirinhas muito finas e orégãos . Frite ligeiramente até ver o presunto mudar de cor. Junte a colher de maizena e as natas e deixe engrossar. Retire do lume, junte os iogurtes escorridos, mexa bem para ligar, verifique o sal e enxugue o recheio com miolo de pão duro ou pão ralado claro.
Coza os Cartuchini em água a ferver e sal, durante cerca de 10-12 minutos, tendo o cuidado de introduzi-los na água uma a um, pegando-os pelo bico do cone, para que não fechem ao entrar na água. Pare a fervura com água fria, escorra e reserve.
Encha cada Cartuchini com este recheio e disponha-os num tabuleiro untado de azeite. Polvilhe com Parmesão ou Grana Padano ralados, orégãos e enfeite com Pomodori Secchi moído, se tiver.
Leve a forno quente durante breves minutos, para gratinar o queijo.
Sirva quente com uma juliana de alface temperada.

Massa Fresca




A máquina de fazer massa fresca era um dos tais utensílios de que falei no post do Espremedor de Citrinos Veneziano. Comprada há já dois anos em Itália, cumpriu a sua missão uma só vez, quando chegou, e regressou à caixa de origem para mais uns tempos de repouso. Até hoje!
A culpa por eu ter ido ressuscitá-la foi de uma amiga que me deu uma revista nova, dessas que oferecem o número Zero, de seu nome Gingko, fracota mas que tinha umas receitas engraçadas de “pastas” e, entre elas, uma de uns “búzios” recheados de rúcula e queijo que parecia promissora. Escusado será dizer que não encontrei no comércio local qualquer búzio ou outra massa que se prestasse a tal recheio e foi então que me lembrei que tinha uma máquina de fazer “pasta”. Chuva, vento, frio, as filhas que não vieram para o fim de semana, os velhos livros italianos de “pastas”, foram os ingredientes necessários para uma manhã de sábado bem criativa, cujos resultados aqui deixo:

Ingredientes:

300g de farinha de trigo
3 ovos
1 pitada de sal

Preparação:

Misture e amasse os ingredientes. A regra é 1 ovo por cada 100g de farinha mas os ajustes são sempre necessários. O objectivo é conseguir uma massa bastante dura mas lisa e coesa, que se possa estender mas que não pegue. Para isso poderá ter de juntar mais um pouco de farinha ou umas gotas de água.
A massa poderá ser estendida com uma máquina de fazer “pasta” mas, na sua falta, um rolo de cozinha faz perfeitamente o trabalho. Se tiver um rolo de mármore, daqueles bem pesados, consegue fazer até melhor que a própria máquina.
Após estender as folhas finas é dar-lhe a forma desejada: eu fiz taglierini, tagliatelle, lasagna, inventei uma nova massa que baptizei de cartuchini que foi o almoço e a minha mulher Maria José criou outra que ainda não foi baptizada. Se quiser fazer massas que precisem de dobragens ou colagens, basta molhar ao de leve, com água, a superfície que vai ficar sobreposta e apertar um pouco com os dedos.
A base é esta; a partir daqui tudo é possível, desde as massas recheadas, coloridas, aromatizadas, aqui a imaginação é mesmo o limite. E o sabor incomparável!

Nota:

A simplicidade e rapidez de elaboração de massas frescas é desconcertante. Realmente demora bem mais tempo a fazer este post que a fazer a pasta. Pode ainda conservar-se fechada no frigorífico por várias semanas ou meses se congelada. Atenção às massas que normalmente são compradas já com pré-cozimento, as lasagnas e os canelloni, que depois precisam apenas dos molhos do cozinhado para ficarem prontas. Se usar massa fresca, terá de cozer previamente as placas ou os tubos em água e só depois utilizar na confecção do prato.

Pargo com Molho de Laranja


Este meu pargo é filho de salmonetes! E não de uns quaisquer, mas daqueles que a Anna cozinhou aqui.
Os salmonetes são um peixinho que eu não como: acho-os aceitáveis de sabor mas totalmente inaceitáveis de preço e, francamente, nunca consegui perceber a razão de tanta e tão cara fama. Se calhar foi trauma por ser comida de doente quando eu era miúdo, isso e uns infames caldos de carneiro, outros tempos...
O que me fascinou e convenceu foi a marinada frutal em que os desgraçados estiveram antes da provação final: sumos de laranja, limão e lima. E como nestas coisas não há mesmo como experimentar, tinha em casa laranjas e limões e as limas roubam-se às das Margaritas, foi só comprar um pargo, que ficou uma delicia ao jantar e que mudou o modo algo rígido como eu encarava os assados no forno e a utilização quase obrigatória de vinho na sua execução. Fiz assim:

Ingredientes:

1 Pargo pequeno (800g)
Sumo de 2 laranjas, 1 limão e 1 lima
4 colheres de sopa de azeite
3 dentes de alho
Sal, pimenta e colorau
1 cebola
2 batatas médias
2 cenouras
2 nabos
1 courgette pequena

Preparação:

Como já vem amanhado do supermercado, em casa é só dar-lhe três golpes e partir nesses locais a espinha do meio com uma tesoura, para facilitar a divisão, à mesa. Temperar nos golpes e dentro da barriga com sal e alho esmagado e regar com o sumo dos frutos. Deixar a marinar 1 hora, pelo menos.
Dispor no fundo de uma assadeira a cebola em rodelas, colocar o pargo sobre elas, passar um fio de azeite, salpicar com pimentão e um pouco de pimenta e levar a forno esperto. Entretanto, estufar as batatas, cenouras e nabos com azeite, sal, colorau e o sumo onde o peixe marinou. Deixar reduzir para um terço, dispor os vegetais em redor do pargo, adicionar nessa altura a courgette em rodelas grossas, regar o peixe e os vegetais com o molho reduzido e voltar ao forno mais 5 – 7 minutos com lume forte.
Decorar o pargo com pequenos gomos de laranja, com casca, nos golpes.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pasta de Azeitonas



Prosseguindo com o tema aberto no post anterior, abordaremos hoje as famosas pastas de azeitonas.
Originários do Sul de França, de onde eu trouxe a ideia em 1975, os Patés d’Olives mantiveram-se como produto local por muitos anos, depois entraram em Itália que se encarregou de os espalhar pelo mundo gourmet, de tal modo que muitos pensam terem tido lá a sua origem.
Por cá, chegaram timidamente há cerca de uma década, têm crescido e são já relativamente vulgares, apesar de algum chico-espertismo nacional já lhes ter inventado, nalguns casos, uns espessantes e farinhas lá pelo meio, para engrossar a coisa e o lucro.


Pode fazer-se pasta de azeitona com qualquer azeitona de cura natural. A excepção são as azeitonas verdes, ditas de Elvas, que apesar de curtimenta química também dão uma boa pasta.
Faço normalmente pasta de azeitona “galega”, “cordovil” ou “bical” que são as variedades que tenho no meu olival. A melhor, para mim é a azeitona galega miúda, preta, que compro no mercado das Caldas da Rainha, pois apesar de ter umas centenas de árvores a produzi-la, como são biológicas, ganham bicho ao amadurecerem por completo e por isso só as utilizo numa fase de meia maturação, quando estão castanhas.
Como a matéria-prima já é uma conserva, pode fazer-se em qualquer altura, desde que tenha paciência para descaroçá-las. Conserva-se bem por mais de um ano, se bem que raramente se lhe dê tal oportunidade.

Ingredientes:

Azeitonas de cura natural
Azeite Extra Virgem

Preparação:

Compre as azeitonas que mais lhe agradarem, excepto as pretas de cura química que são aquelas grandes e muito redondas com o interior acinzentado e um sabor adocicado. As verdes marteladas (pisadas), apesar de naturais, são muito “magras” e dão uma pasta muito áspera, pelo que também as deve evitar. As melhores são as pequenas galegas, pretas e ácidas, às vezes com algumas ainda castanhas misturadas, retalhadas ou não.
De qualquer modo prove sempre antes de comprar, mais do que uma azeitona, por precaução. O sabor da azeitona será o sabor da pasta.
Descaroce as azeitonas com o instrumento apropriado. Passe-as pela picadora de carne ou com a varinha. Os dispositivos de lâmina rotativa deixam a pasta mais lisa e mole. Pessoalmente aprecio mais que a pasta conserve alguma textura mais granulosa, pelo que uso a picadora. Nalgumas azeitonas de carne mais firme e verde, passo primeiro pela picadora, depois levo cerca de um terço à varinha e misturo tudo em seguida. Desta maneira mantenho a textura mas junto um aglutinante, que é útil.
Após passar, deixo a massa durante cerca de uma hora num passador de rede, para escorrer um pouco e adiciono em seguida algum azeite, mexendo bem.
Se quiser guardar, utilize boiões pequenos, fervidos. Deixe cerca de 1cm abaixo do bordo, limpe este centímetro de vidro com um papel limpo para retirar qualquer vestígio de pasta e acabe de encher com azeite.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Paté de Grão


O Taciano foi um grande amigo, que já partiu.
Tinha sobre si próprio a convicção de ser um bom cozinheiro, o que não correspondia inteiramente à verdade, mas no que respeita a patés em geral e a Paté de Grão em particular, era realmente inexcedível.

Esta é a sua receita, que para além da riqueza gastronómica que encerra, tem para mim a virtude de evocar, a cada dentada, a memória de um bom Amigo.


Ingredientes:

Grão de Bico
Sal grosso
Alho e Louro
Sal(Flor) e Pimenta
Azeite Virgem, Extra
Vinagre de Vinho
e:
Alho ( esmagado fino ou em pó) e/ou
Coentro (folha fresca, espigos ou semente verde) ou
Salsa, ou
Orégão verde, ou
Cebolinho, ou
Pimenta Verde fresca, etc.

Preparação:

Lave o grão, mude a água e deixe-o de molho pelo menos 12 horas, melhor 18.
Coza bem o grão na água em que demolhou, com sal grosso marinho, pimenta moída, alho com casca, folha de louro e um fio de azeite, mas não deixe os grãos abrirem. Retire os temperos e escorra bem.
Passe o grão pela picadora de carne, tempere com o Azeite Virgem, Flor de Sal , um pouco de pimenta e Vinagre. O paté base está pronto; coma assim ou acrescente um ou mais dos outros ingredientes. O alho fica sempre muito bem mas, se usar fresco, tenha muito cuidado para não sobrepor o seu sabor ao do grão. É um paté de grão, não de alho.
Eu costumo variar, mas o meu preferido é o de alho (uso em pó) e coentros, que esmago logo na picadora quando passo o grão.
Come-se em entradas, sobre tostas, como pasta para sanduíches, etc.

Nota:

O coentro apresenta ao longo do seu ciclo de vida enormes variações, não só morfológicas como também no que respeita a propriedades gustativas. Desde as folhas jovens frescas, que é o aspecto mais utilizado e conhecido (e único à venda), aos "espigos" de folhas filiformes que antecedem a flor, que são o tempero certo para as favas, e, finalmente, aquela que é a forma mais intensa, mas delicada e totalmente diferente das anteriores: A semente verde e fresca.
Se não vive no campo, a única forma de obter esta maravilha, utilizável na culinária, doçaria, licores (um must), é cultivar o coentro num vaso de janela, o que é, aliás, muito fácil.
As sementes secas que se vendem em frascos não servem realmente para quase nada pois são bastante insípidas e fracas. Servem para ... semear!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Douradas Recheadas, no Forno


Segunda-Feira é o dia mais miserável para quem gosta de peixe fresco!

Quem pesca descansa ao Domingo, que também merece, mas o resultado são bancas vazias ou com restos do fim-de-semana.

Ontem, que íamos ser quatro ao jantar e não me apetecia nada fazer carne, nesta terra em quase só se come carne, mas peixe congelado também não era exactamente o plano e bacalhau não tinha demolhado. Lá fui ver como me safaria.

Como já esperava, logo de longe se via que o sítio do peixe era brilhante de inox. Só a um canto , havia então uns montículos de gelo e os inevitáveis peixes de "aviário": Robalos e douradas de aquacultura. Só lá em cima pude respirar de alívio; se os robalos eram gregos, ao menos as douradas eram de aquacultura portuguesa, incomparavelmente melhores que as congéneres gregas com peles amarelas na barriga e uns esverdeados suspeitos. Com a aquacultura portuguesa não há problemas e confesso que já comi muitos peixes aqui criados e que, se quiser ser sincero e honesto, não consegui distinguir dos irmãos marinhos. Comprei quatro e fiz assim:

Ingredientes:

Douradas médias
Presunto ou fiambre
Iogurte escorrido
Pasta de Azeitona
Queijo Roquefort ou "azul" de barra.
Alho esmagado
Miolo de pão branco
Sal e pimenta
1 Cebola
Pimentão doce
Batatinhas Primor
Bróculos
Azeite virgem
Vinho Branco

Preparação:

Ao comprar as douradas, peça para que não cortem as barbatanas dorsais demasiado junto ao peixe. Em casa, escache e retire as espinhas à dourada. Esta operação é relativamente difícil e pode ser facilitada se usar uma tesoura para cortar as espinhas da barriga junto à coluna e separar a espinha central das da barbatana dorsal, por dentro, deixando estas últimas no peixe.

Após retirar a espinha principal, deve puxar com o auxílio de um alicate de pontas chatas as espinhas da barriga cujas extremidades cortadas se sentem bem passando o dedo.

Com o peixe aberto passe um pouco de alho esmagado, e salpique com sal e pimenta

Proceda então ao recheio do peixe, começando por dispôr um fatia de presunto ou fiambre como indicado aqui, depois coloque uma fatia de Roquefort, pasta de azeitona preta, iogurte bem escorrido e um pouco de miolo de pão branco. Dobre o presunto e cubra em envelope com o peixe. Disponha os peixes sobre rodelas finas de cebola num tabuleiro de forno.

Frite batatinhas primor com casca, disponha-as à volta dos peixes, salpique tudo com pimentão doce em pó, regue tudo com azeite virgem e leve a forno quente, refrescando de vez em quando com um pouco de vinho branco. Uns minutos antes de servir, disponha bróculos previamente escaldados.
Nota:
Nos pratos de peixe no forno, existe um problema com os tempos de confecção do peixe e o assar das batatas. Se puser as batatas em crú, quando estas estiverem assadas o peixe está seco e imprestável. Uma solução é pôr as batatas a assar cerca de 40 minutos antes do peixe, ou então dar-lhes uma "entaladela", seja por cozedura, seja por fritura, e pô-las então a corar durante os 15-20 minutos que o peixe leva a ficar pronto.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Como escolher um Ananás





Esta "dica", que dedico à Marizé, é fruto de muitos erros e tentativas. Se seguir as sete regras seguintes, terá de certeza um belo ananás à sua mesa.

1 - Nunca compre um ananás totalmente alaranjado. Nesta altura, mesmo com um bom aroma e tudo o mais, já está "passado". O máximo de laranja que pode ter é um terço, e deve começar a alaranjar a partir da base. Se estiver alaranjado para o lado de cima, foi amadurecido à força. De qualquer modo não procure com base na cor laranja: um fruto totalmente verde pode estar perfeito.

2 - Examine a base do ananás. À volta do coto existem umas folhas secas que são o resto da flor que originou o fruto. Devem ter uma cor castanho amarelado e não terem qualquer vestígio de bolor. A base destas folhas deve estar bem aderente; se ao puxar sair com facilidade e estiver húmida na base, quer dizer que o ananás se está a estragar.

3 - Puxe uma das folhas centrais do penacho verde da parte de cima do ananaz. Deve sair facilmente (indica que o fruto está maduro) mas a sua base deve ser irrepreensivelmente branca, sem qualquer vestígio de castanho (fruto maduro demais).

4 - Ao pegar no fruto, deve ter uma sensação inequívoca de peso. Quanto mais denso for o ananás, melhor. Os ananáses leves têm ôcos e são secos.

5 - Um ananás tem sempre um exuberante cheiro a ... ananás.

6 - Não compre um ananás que tenha qualquer área mais mole. Um ananás deve ter uma consistência bem firme.

7 - Nunca compre "meio" ananaz: é sempre a metade "melhor" de um ananás estragado.