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domingo, 14 de outubro de 2012

Salmão Fumado



                    Seja do que se cria na Natureza, que tem a seu favor o ser excelente e contra si ser tão caro que só para dias de festa, seja o que é criado para ser comido todos os dias e por todas as bolsas, o salmão é sempre uma festa de versatilidade e sabor.
O sabor deste peixe magnífico é particularmente realçado nas preparações em que a confecção não é feita através do calor, deixando no músculo alaranjado os sucos e gorduras intactos do peixe cru. Está neste caso o gravlax de que vos falei aqui e, claro, o salmão fumado do nosso contentamento que compõe ou remata   com nota de ouro tudo onde entra, isto se se gosta dele assim como eu gosto.
A única coisa que não aprecio no salmão fumado é o preço, bastante injustificável perante a facilidade com que se faz em nossa casa, depressa e bem. Assim:

Ingredientes:

1 Salmão fresco
Sal fumado*

Preparação:

Compre um salmão com cerca de três quilos.
Com o auxílio de uma faca muito afiada, separe os filetes do salmão cortando ao longo da espinha. 
A cabeça juntamente com a espinha e a carne que sempre lhe fica agarrada é matéria-prima para uma excelente sopa de salmão.
Passe os dedos sobre a linha média de cada filete, no sentido cauda-cabeça e sinta uma fiada de espinhas que sobressai do peixe. Com uma pinça, ou um tirador de espinhas, se o tiver, ou ainda com um alicate de pontas, agarre a extremidade de cada uma destas espinhas 
e puxe na direcção em que está inserida.
Tire deste modo todas as espinhas de cada filete.
Envolva os filetes em sal fumado, 
junte-os com a pele para fora, envolva-os em película aderente, que deve furar para que o líquido que se vai formar possa sair.
Ponha este pacote entre umas tabuinhas ou algo assim rígido e ate com voltas sucessivas de elástico de modo a que o peixe fique sujeito a uma grande pressão.
Deixe por 20-24horas. Abra, lave todo o sal que tenha ficado aderente, seque e deixe por umas horas no frigorífico, antes de começar a consumir.
Um salmão de 2,7 kg, produziu 1,5 kg de salmão fumado, delicioso.
Nota:
O sal fumado é o elemento difícil do processo. Como faço muitos fumados em casa, costumo abastecer-me em quantidade quando visito Espanha, onde se pode adquirir em qualquer supermercado.
Em Portugal, dizem-me que se pode encontrar no El Corte Inglés, embora não o tenha nunca confirmado. Também se pode fazer em casa com algum trabalho de ar livre e paciência; se houver algum leitor interessado, é só perguntar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Camarão Deitado em Cama Folhada com Lençóis de Salmão

              Apesar de existir por aí, em certos recantos especiais, o  salmo salar ou salmão selvagem fresco é peixe que quase nunca passa pela minha cozinha, não porque eu não gostasse mas por outros e mais óbvios motivos.
Já do primo baratucho, nascido e criado nas piscinas de aquacultura, não posso dizer que seja peixe da minha predilecção, usando-o por vezes de maneiras pouco cozinhadas, em gravlax, alimado ou de alguma maneira que não o deixe com aquela fibra seca que é o distintivo principal face à suculência húmida do irmão legítimo.
Mas o tema desta 55ª Trilogia com a Ana e o Cupido era mesmo “salmão” e assim, optei por essa magnífica apresentação que é o salmão fumado da Noruega, uma guloseima de que nunca me farto e que, já agora, iria  ter companhia que não destoasse da sua nobreza e, para mais, o responsável pela fabulosa cor da sua carne: o camarão.

Ingredientes:

Camarões Tigre
Sal e pimenta
Manteiga
Massa folhada grossa
Salmão da Noruega, fumado
Maionese para decorar

Preparação:

Descasque o corpo dos camarões, mantendo a cabeça e a cauda e retire a “tripa” preta.
Enfie um palito por dentro do corpo do camarão, a partir da cauda, 
de modo a manter o camarão direito.
Tempere com sal e pimenta preta e passe-os rapidamente por manteiga.
Corte rectângulos de massa folhada grossa (usei feita por mim porque só havia da fina, em rolo, no meu supermercado) e leve-os ao forno quente depois de vincados com algo que deixe um sulco definido ao longo do comprimento do rectângulo (usei um tubo de alumínio).
Quando estiverem bem folhados e cozidos, retire o tubo,
 cubra com um pedaço de fatia de salmão fumado e, sobre ele, um camarão.
Decore com um fio de maionese sobre o camarão e sirva com uma salada a gosto.
Esta foi uma combinação que, tendo nascido de simples devaneio teórico a partir do facto biológico da cor do salmão ser devida à sua dieta de camarões, acabou por se revelar magnífica no palato e, sem dúvida, prato ou entrada a repetir. 

sábado, 24 de janeiro de 2009

Gravlax (salmão cru com ervas)

Gravlax quer dizer, literalmente, salmão enterrado. “Gravad” é cova e “lax” é salmão, nas línguas nórdicas.
O Gravlax começou por ser uma técnica de conservação usada pelos pescadores dos fiordes da península escandinava, que enterravam o salmão nas enseadas de areias geladas, com sal, para que fermentasse por um ano. Isto, desde o sec. VIII.
Mil e duzentos anos depois, o Gravlax tornou-se uma das mais reputadas “delicatessen” nos cardápios gourmet.

Muitas vezes confundido com o salmão fumado, distingue-se deste, à vista, pela existência de pimenta preta grossa e uns fios de ervas nos bordos das fatias de Gravlax, o que não existe no fumado. Mesmo assim, é frequente que, dentro de embalagens de salmão, dito fumado, se encontre afinal o “primo” Gravlax.
E não se perde nada, que este salmão assim preparado, bate aos pontos o outro.

O único senão do Gravlax é o preço proibitivo por que é vendido, normalmente com o peso “roubado”, disfarçado por um grosso cartão metalizado que lhe serve de cama e não deixa confirmar o verdadeiro peso do peixe.

Não gosto de preços proibitivos!
Não gosto e também não posso pagá-los, que não sou rico. Mas como gosto muito de Gravlax e, afinal, até é bem simples de fazer, bastou-me apenas seguir os passos à risca e saber esperar dois ou três dias, para ter à disposição um belo naco desta delícia que não farta.

Este Gravlax que hoje aqui deixo, segue uma receita tradicional sueca, das que mais respeita o sabor do salmão, agora que a moda tende à introdução de múltiplos sabores na cura. Por mim, porque não encontrei o tradicional Endro, utilizei o portuguesíssimo Coentro e o resultado foi excelente.

Ingredientes:

1-1,5 Kg de filete de salmão
1 chávena de sal marinho integral, grosso
½ chávena de açúcar mascavado claro
½ chávena de açúcar branco
3 colheres de sopa de pimenta preta, moída grosso.
1 grande molho de Coentros (ou Endro)

Preparação:
Peça para lhe arranjarem um lombo alto de salmão com pele e escamas ou, se tiver capacidade de congelação, compre um salmão inteiro, grande, como eu fiz. Esta opção, quando possível, é extremamente económica pois o salmão inteiro é vendido a metade do preço das postas e a um terço do preço dos lombos limpos.

Divida o salmão e retire um lombo da parte média do peixe.

Vire a pele para baixo e passe o dedo pela linha média do filete, sentindo as finas espinhas que saem da carne. Puxe cada uma com uma pinça própria (eu uso um pequeno alicate de bricolage).
Disponha o peixe assim arranjado sobre película aderente aberta, mais uma vez com a pele para baixo e cubra com uma camada uniforme de uma mistura do sal, açúcares e pimenta.
Ponha por cima do sal os coentros ou endro picados e feche bem o conjunto com a película aderente.

Com o bico de uma faca, faça 3 ou 4 orifícios na película, pelo lado da pele, e ponha o embrulho num tabuleiro onde antes pôs uma toalha absorvente, entre o peixe e o fundo do tabuleiro. Ponha um peso em cima, deixe as primeiras 6 horas à temperatura ambiente e depois mais 48h no frigorífico. Durante este tempo a toalha vai absorver os líquidos que o peixe liberta durante o processo de cura.
Após este tempo, lave rapidamente o peixe para remover o sal ainda agarrado, seque-o e deixe no frigorífico, destapado, por mais algumas horas antes de abrir, o que é a espera mais difícil de suportar.

Nota:Para estrear o meu Gravlax, fiz uma “tortilla” de coentros inspirada numa receita que vi, há tempos, num livro de Donna Hay de que não retive o nome (Receitas Rápidas?) mas que não vale a pena dissecar agora, que o post já vai bem longo. Mas ficou muito boa!

Antes de me aventurar no grande Gravlax, experimentei com uma truta salmonada de 1 quilo e pouco, para ver. Deixei os lombos por apenas 6+24 horas e também ficou bem boa. Um Grav"truta"! :-)