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sexta-feira, 8 de julho de 2016

“Iced” Tília (xarope)

                 
As tílias são árvores comuns no hemisfério Norte, onde chegam a atingir portes impressionantes de mais de trinta metros de altura. Em Portugal não atingem estas medidas mas são ainda assim grandes árvores, muito belas com as suas folhas de um verde-escuro por cima e claro por baixo e, principalmente, com esse aroma espantoso que tudo envolve na época da floração,
que se estende de Maio a Junho.
Usada desde a antiguidade, a infusão das suas flores é reconhecidamente calmante, sedativa e ansiolítica, para além de fazer uma tisana muito agradável e reconfortante ou ainda, se bem gelada, um magnífico refresco.
As flores da tília nascem a partir de uma folha modificada, a bráctea,
da qual ficam suspensas e podem ser usadas sozinhas,
dando uma tisana muito suave e quase sem cor, ou juntamente com a bráctea,
em que a tisana é menos suave mas bem mais intensa e ao fim de algumas horas dá à tisana um tom rosado/avermelhado muito belo.
A maneira mais expedita de ter sempre pronta a usar a infusão de tília, quer como tisana, quer como refresco é transformá-la num xarope concentrado que, adicionado de água quente fará a tisana de tília, se de água gelada, um Iced Tília!

Ingredientes:

Flores de tília, secas
Água mineral, leve
Raspa de casca de limão
Açúcar
Ácido cítrico em cristais

Preparação:

Infunda flores de tília com a sua bráctea, secas e raspa do vidrado de limão* em água mineral leve, a ferver, de modo a obter uma tisana muito forte e deixe por algumas horas, durante as quais a tisana que tinha uma cor amarelada leve se vai tornar avermelhada,
como se fosse uma infusão de chá preto. Filtre.
Pese o líquido obtido,
leve-o ao lume e adicione o mesmo peso de açúcar. Deixe levantar fervura, adicione uma colher de sobremesa de cristais de ácido cítrico por cada litro de xarope pronto, engarrafe e rolhe assim a ferver.


Nota: * Use a raspa de um limão por cada meio litro de água em que infundiu a tília.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Tília


                    Todos os anos pelo fim de Maio, Lisboa e tantas outras cidades e vilas enchem-se do seu aroma portentoso, transfigurando em jardins, pela magia do perfume, até artérias cheias de fumo, barulho e tráfego, a lembrar que por vezes a mole urbana é um sítio bom  e gratificante para pessoas viverem.


É a magia das Tílias!


Árvore de folhagem verde escura, copa densa e sombra magnífica, quando chega o final de Maio, emite umas estranhas folhas verde claro, as brácteas, do meio das quais sai um pedúnculo de botões que se abrem em singelas flores branco amarelado que exalam um perfume poderoso que se intensifica ao fim do dia.
Diurético, estomáquico, calmante, são apenas algumas das virtudes que se anunciam para as infusões destas flores, o conhecido chá de tília que, se afinal não tiver as tais propriedades medicinais, é pelo menos, e isso seguramente, uma bebida deliciosa.
Se tem acesso* a uma tília, tem agora uma janela temporal de uma ou duas semanas para colher as delicadas flores e suas brácteas, 

secá-las num local arejado mas sempre à sombra

 e poder assim desfrutar durante todo o ano dessa fragrância única, seja em infusão seja através de um licor de que vos falarei daqui a dias, quando a minha tília estiver seca e o fizer.

* As tílias que existem em matas e jardins, públicos ou privados, fornecem belíssimo material de colheita. Nas cidades, principalmente nas tílias que ornamentam avenidas com tráfego automóvel intenso, claro que a poluição ambiente desaconselha o seu uso para preparar bebidas. Nestes casos, poderá no entanto colher alguns ramos mais floridos e levar para sua casa que ficará por alguns dias cheia do seu perfume.