............... Por vezes parece que isto de se saber quem acompanha quem, não tem importância, mas tem.
Por aqui, onde desde sempre os vinhos foram acompanhantes, escolhe-se sim um vinho para a comida. Até este domingo!
Este bacalhau à lagareiro, prato que não concebo com outro vinho que não seja um tinto sem frescuras nem ardores de juventude, foi feito para acompanhar um vinho muito mas mesmo muito especial, o Fontanário de Pegões de 1998.
Feito em 1998 pelo enólogo referência para os vinhos da península de Setúbal, eng. Jaime Quendera, para a Adega Cooperativa de Pegões e com 100% Castelão e 13º de álcool, este varietal saiu há muito do mercado e, se o achei foi por um desses acasos que às vezes fazem um de nós acertar numa lotaria: descobriram na adega, esquecidas, umas caixas deste néctar que ninguém sabia ali terem ficado e estão agora na wineshop da adega, em Pegões.
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Comprei a medo, desconfiado do que poderia ter acontecido em tão grande espera, pouco ajudado por um contrarrótulo indigente e a refletir o que era a comunicação numa adega há 12 anos.
A abertura revelou uma rolha em fim de vida mas que resistiu e conservou um vinho esplendoroso com uma cor que aqui tentei captar e que após decantação algo prolongada* se revelou numa complexidade de aromas e maturidade que me fez correr hoje a reservar uma caixa, por telefone, que aquilo é tesouro que acaba em qualquer momento.
.O acompanhamento deste castelão memorável foi um bacalhau à lagareiro, que já aqui vos descrevi sob o nome de Tibornada
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Nota:* Quando se abre a garrafa e se prova logo, receia-se o pior. O vinho parece estar "morto" e, um quarto de hora depois ainda não abriu. Não se preocupe e deixe o decanter trabalhar; ao aproximar-se da hora, este castelão explode numa sinfonia a pedir fervor religioso a cada gole.
Felizmente tinha-o aberto bastante antes, senão teria de ser bebido com a sobremesa.