Quando há tempos vos falei da receita perdida dos queques de outrora, prometi-vos também que em breve ressuscitaria essa outra de um bolo emblemático da nossa memória colectiva, o bolo de arroz, entretanto perdido para o facilitismo químico que assolou e tomou conta da indústria da pastelaria e panificação, hoje totalmente entregue aos multinacionais cuidados dos melhorantes, conservantes, humectantes, correctores de acidez que fazem da receita de um simples bolo de arroz um compêndio de química.
Desse livro de 1933, tão actual e tão injustamente esquecido, “A Cozinha Ideal “*, de mestre Manuel Ferreira, saiu esta receita que aqui vos deixo, do tempo em que um bolo de arroz não era essa massa fofa e gordurosa, igual às outras todas e que faz com que hoje, um bolo de arroz se diferencie de um queque, principalmente, por não ter bicos e ser enrolado numa tira de papel vegetal.
Ingredientes (para 12 bolos):
300g de açúcar
300g de farinha de trigo
150g de farinha de arroz
150g de manteiga
25g de fermento químico
6 ovos + leite (tudo 500ml)
Raspa de um limão
Preparação:
Bata o açúcar com a manteiga amolecida, o fermento e a raspa de limão.
Junte então os ovos e o leite, que em conjunto devem perfazer 500ml e bata muito bem até obter uma massa cremosa.
Adicione por último as farinhas e misture bem, de modo a que a massa fique homogénea e fofa.
Forre aros com 6cm de diâmetro e 5cm de altura com uma tira de papel vegetal com 6cm de largura,
encha até dois terços da altura, assente em papel vegetal
e leve a forno aquecido a 200ºC por cerca de cinco minutos, passando depois para os 170º-180ºC até estarem cozidos.
Quando o bolo está já crescido e quase cozido mas ainda sem cor, pode polvilhar com um pouco de açúcar por cima para fazer aquela crosta característica e tão saborosa.
Nota:
* Ferreira, Manuel - A Cozinha Ideal – Tratado Completo de Cozinha, Pastelaria e Bar”, 8ª edição, Editorial Domingos Barreira, Porto, 1959.