Quando
eu era criança chamava-lhe “sopa de barquinhos”, alusão directa à forma ovalada
das finas lâminas de feijão-verde,
cada uma um navio de imaginárias frotas que
iam decorando a borda dos pratos dos mais novos, eu e as minhas irmãs, a minha
mãe a ralhar que a sopa era para comer e não para batalhas navais.
Mais de meio século
depois, este é um sabor que continua a povoar as minhas refeições de tempo
quente, quando aparece a indispensável segurelha
e o feijão-verde deixa de ser
marroquino e de estufa. Como todos os pratos verdadeiramente tradicionais, não
obedece a uma receita mas sim a uma ideia que lhe dá forma, a maneira de cortar
o feijão, um puré de legumes com uma latitude de variação enorme, a segurelha
que, quando faltava, era substituída por hortelã. É assim a cozinha tradicional
na sua expressão mais verdadeira, a que vai acontecendo, geralmente numa linha
familiar de imitação/inovação sem ligar às “fixações”, com que alguém num dia
qualquer decidiu que era aquela a receita que ia ficar como cânone.
Ingredientes:
Feijão-verde
Batata
Cenoura
Alhos
Azeite
Sal e pimenta
Segurelha fresca
Preparação:
Leve a ferver em água e sal
todos os ingredientes excepto o feijão e a segurelha. Reduza a puré.
Elimine as pontas dos feijões-verdes,
agrupe-os em molhos de quatro ou cinco feijões e corte-os transversalmente em
lâminas de 2-3mm de espessura (os barquinhos).
Junte ao puré o feijão
laminado
e uns raminhos de segurelha fresca,deixe cozer até o feijão estar tenro, rectifique temperos e sirva.







