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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ossos Carregados


Se há sítio mítico que, apesar do passar do tempo e das mazelas que a fama sempre acarreta, continua a ser uma referência do bom comer e beber, esse lugar é o Zé Manel dos Ossos!

Situado num pequeno beco coimbrão, ali à Portagem, o Restaurante Zé Manel dos Ossos deve o nome ao seu fundador, já desaparecido, tipo abrutado mas com um fino sentido de humor que, se o cliente encaixava os destratos que às vezes levava e era capaz de responder na mesma moeda, fazia ali logo um amigo.
Hoje, vive-se um pouco à sombra do Zé Manel mas, como tudo o que é seguido e imitado, acaba por resvalar para o menos genuíno, um pouco como essas pessoas a quem alguém disse que tinha jeito para as poesias populares e passaram a falar sempre em versos e rimas pobres de ocasião.

O que não deixou de ser genuína foi a comida, os Cogumelos Aporcalhados, a Chanfana à Moda de Miranda, As Barriguinhas de Leitão na Brasa e, claro, como não podia deixar de ser, os Ossos Carregados!

Ossos Carregados são um petisco memorável e, muitas vezes saí da auto estrada em Coimbra, de propósito para os comer antes de prosseguir viagem. Depois, e como não vou assim tantas vezes para Norte, passei a fazê-los e a degustá-los com a minha filha Joana, ela também uma verdadeira devota de Ossos Carregados. Fazem-se assim:

Ingredientes:

Ossos de porco (coluna)
Sal
Alhos
Cebola
Louro
Pimenta em grão

Preparação:

Compre ossos carregados.
Estes ossos são a coluna vertebral do porco e saem do desossar do lombo. Mas claro que têm de estar "carregados", ou seja, quem desossa não pode ser somítico, senão em vez de ossos carregados fica com ossos para cão. Por vezes tem de se pedir de propósito, principalmente no Sul, onde não há grande tradição deste petisco.
Molhe os ossos em água e salpique-os de sal marinho grosso, abundante. Guarde no frigorífico até ao dia seguinte.
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Sacuda o excesso de sal e coza os ossos durante cerca de 40 minutos na panela de pressão ou 60-70 minutos em panela aberta. Em qualquer dos casos a água é temperada com dentes de alho, uma cebola inteira, uma folha de louro e pimenta em grão.
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Comem-se à mão, bem quentes e acompanhados por um bom tinto da Bairrada.

Bom petisco!