O atum
fresco, chamado por vezes de “carne do mar” é um dos ingredientes gastronómicos
mais maravilhosos e simultaneamente, um dos mais ingratos.
A carne destes grandes habitantes dos oceanos, pode
comer-se literalmente de qualquer forma, mas tem limites muito rígidos quanto a
frescura, que deve ser irrepreensível, e também nos seus tempos de preparação,
sendo muito fácil que se torne seca e fibrosa, conquistando por vezes
antipatias e até aversões, devidas a erros culinários.
As conservas de atum, seja
confitado em azeite, seja simplesmente cozido, são das mais populares e
consumidas, sendo a sua pesca desenfreada para alimentar as conserveiras,
responsável por boa parte do seu
declínio em todos os oceanos.
Dos mares dos Açores, onde o atum esteve quase extinto há
poucos anos devido a pescas selvagens, vem agora um dos melhores atuns do
mundo, pescado através de uma antiga arte de pesca amiga do ambiente, o “salto
e vara”.
Além das magníficas conservas açorianas e graças às tecnogias
de embalagem e transporte, podemos agora usufruir de atum fresco excelente e de
confiança, sem o recurso à congelação que, no caso do atum fresco, afecta e
muito a delicadeza estrutural única desta carne. Os lombos de atum dos Açores
transportados de avião, refrigerados, embalados a vácuo e vendidos depois nos
nossos mercados, são a maneira perfeita de podermos aceder a um produto fresquíssimo
e francamente superior ao atum de carne muito vermelha* que se pesca na costa
continental.
Para esta 83ª
Trilogia com a Ana e o Amândio, submetida ao tema “atum”, decidi fazer uns bifes do mar e
para melhor valorizar esta carne tão
delicada, associá-los à delicadeza e suavidade do molho holandês.
Ingredientes:
Bifes altos de atum
Sal e pimenta
Alhos e louro
Banha de porco
Molho holandês com rúcula selvagem
Preparação:
Peça para lhe cortarem bifes altos com cerca de 180-200g
cada.
Se não arranjar esta carne açoriana de tom claro* (a melhor) deixe os
bifes por uma ou duas horas imersos em água fria para que percam o excesso de sangue
que a carne de atum da costa continental apresenta por vezes.
Tempere de um lado com pimenta e louro e do outro com sal
grosso e alhos fatiados.
Frite estes bifes num pouco de banha bem quente, dos dois
lados mas rapidamente.
Este momento é crucial para um bife de atum: deve ficar
mal passado mas de forma nenhuma cru (um bife de atum não é sashimi); as lascas devem poder
separar-se sem dificuldade mas a carne deve permanecer rosada e húmida.
O molho holandês feito como lhe sugeri aqui, liga às mil
maravilhas com o bife de atum, cuja fritura rápida não deixa sucos que façam um
molho.
Para preparar este, passe algumas folhas de rúcula (ou
azedas) por água a ferver, apenas o suficiente para amolecerem e pique-as
grosso
antes de misturá-las no molho holandês na fase da incorporação da
manteiga.
Notas:
* A vermelhidão da carne de atum, muitas vezes tomada por indício de frescura, denota sim a captura através de um método selvagem, o arrasto, em que o animal morre na rede sem ser sangrado, ficando todo o sangue no músculo e diminuindo muito a sua qualidade, não só em sabor como principalmente em textura.
* A vermelhidão da carne de atum, muitas vezes tomada por indício de frescura, denota sim a captura através de um método selvagem, o arrasto, em que o animal morre na rede sem ser sangrado, ficando todo o sangue no músculo e diminuindo muito a sua qualidade, não só em sabor como principalmente em textura.